Assistimos nos últimos dias a várias ações de “protesto” por parte de jovens ativistas climáticos, como atirar tinta, partir vidros, parar a Segunda Circular de Lisboa... Já agora, como são tão pelo ambiente, limparam o que sujaram?
O mais chocante, pelo menos para mim, foi o imenso cuidado que todos, de jornalistas a políticos, comentadores e até pessoas “normais” tiveram para não condenar abertamente estas ações, basicamente porque, justificavam “a causa é justa”!
Pois... Se querem saber a minha opinião sobre a justiça desta causa, já falei do clima em vários posts anteriores, como O céu está a cair, É o clima! e, mais recentemente, Vem aí a ebulição. Infelizmente, há sempre muito a dizer para contrariar a cartilha vigente e que ouvimos repetir à saciedade.
Mas voltemos aos jovens em questão que, a pretexto do clima, querem acabar com o capitalismo, sim, o mesmo que lhes permitiu serem a geração mais mimada de toda a história da humanidade. E nem querem ouvir falar no não cumprimento de metas por parte da China e Rússia, por exemplo, dando sempre como resposta “compete-nos fazer a nossa parte”.
E outra pequena curiosidade, exigem que se passem a usar só veículos elétricos JÁ, mas não que sejam produzidos na Europa, para evitar o seu longo e dispendioso (para o clima) transporte desde a China? Pois é... E o mesmo se aplica a tudo o mais que vem desse país tão amigo do ambiente. Ou seja, se uma pessoa “normal” tira férias nas Caraíbas, é criminosa, mas não há problemas em importar tudo e mais alguma coisa de outros continentes, desde que venham dos países “certos”, leia-se, não capitalistas.
Pois bem, aqui vai uma listinha do que esses jovens podem fazer para cumprirem a sua parte em impedir a catástrofe climática.
- Nada de andar de carro, mesmo elétrico, é que o fabrico destes é poluente e gasta eletricidade, água e matérias-primas. Já agora os transportes públicos estão incluídos nesta proibição e pelas mesmas razões. Ou seja, deslocações só a pé ou de bicicleta, mas não das novas de materiais compósitos e cheias de arrebiques – já pensaram no custo do seu fabrico para o ambiente? Não, das antigas, pesadas, de ferro, que encontrarão certamente em lojas de coisas usadas (ou até na garagem de algum familiar idoso).
- Se não vivem perto da praia a ponto de poderem ir a pé ou na tal bicicleta, azar, nada de banhos de mar ou surf. E por falar em surf, já analisaram as matérias-primas e outros consumos usados no fabrico dos fatos e pranchas?
- Smartphones? Nem pensar! São feitos na China, uma pais violador de todos os tratados e acordos climáticos. E, pequeno detalhe, a sua reciclagem também é feita maioritariamente nesse país, sendo entregue a pessoas que os desmontam artesanalmente em casa, inalando todo o tipo de gases e fumos que as levam a uma morte prematura. Ou seja, um telemóvel antigo ou, melhor ainda, nenhum: fabricantes e operadoras são grandes empresas globais e vocês querem o fim do malvado do capitalismo.
- Passemos a uma área mais pessoal, a roupa. Pois, acho que já sabem o que vou dizer... Nada de roupa nova, só em segunda (ou terceira ou quarta) mão. Já agora, é muito bonito dizer “só uso roupa feita de materiais naturais” mas, e há sempre um mas, a menos que estes sejam cultivados e tecidos por vós, já pensaram no custo ambiental da sua produção e fabrico? E para quê? Para ser usada umas semanas – estou a ser otimista – e descartada porque já não está na moda?
- E nada de maquilhagem, claro, por muito “ecológica” que seja o seu fabrico exige energia elétrica e água. E está nas mãos de grandes empresas, mesmo a artesanal usa ingredientes que vêm, muitas vezes, delas. E há outros detalhes a ter em conta. Por exemplo, já pensaram na enorme quantidade de água usada para cultivar flores usadas em perfumes? Pois é, nada de “cheirinhos”. O mesmo se aplica a sabonetes e outros artigos similares. Investiguem, por exemplo, o uso de pauzinhos para “lavar” os dentes, é uma prática muito antiga e muitíssimo mais ecológica do que a usual pasta de dentes. E nada de champôs, amaciadores e tudo o mais, sabão – sim, sabão, sabem, como o chamado sabão macaco – serve muito bem, aliás serviu durante os bons tempos antigos, sem catástrofes climáticas!
- Festivais de música? Esqueçam, mesmo que sejam ao pé de casa. Já pensaram no enorme consumo de eletricidade que implicam? Aliás há algo que sempre me intrigou, atendendo a que são quase a 100 % para jovens, os tais tão preocupados com o ambiente, não é estranho ver a lixeira que ali deixam?
- Vida noturna? Idem. Bares, clubes, etc. são um autêntico desperdício de energia elétrica, isto sem falar na tremenda poluição sonora que criam, isto para não falar na produção de bebidas – e garrafas – ali consumidas.
- Férias? Só em casa, no bairro ou onde possam ir a pé ou de bicicleta. O mesmo se aplica ao voluntariado – sim, é grande bondade vossa ir fazer casas em África ou ajudar na Tailândia, mas vão ter de arranjar outra saída para as vossas boas intenções, é que o avião é mau para o clima.
- Mas a vossa grande contribuição pode ser dada após os 18 anos. Em vez de irem para a universidade para depois arranjarem um emprego, possivelmente numa grande empresa, peçam algum dinheirinho aos pais – sim, os ativistas climáticos tendem a ser a esquerda caviar jovem. E para quê? Pois bem, comprem uma daquelas casinhas ao abandono por todo o Portugal rural (ou usem uma de família) e restaurem-na. Mas cuidado com os materiais usados, nada vindo de grandes fábricas, e com as ferramentas: só as antigas, manuais, que não gastam eletricidade. E nada de água da rede pública – que lembro, vem em muitos locais de uma “má” empresa privada”, a do poço ou de outra fonte perto é bem melhor para o clima. O mesmo se aplica à eletricidade, já que até mesmo um painel solar deixa uma pegada de carbono no seu fabrico. E, arranjada a casa, vivam ali do que cultivarem de modo artesanal no vosso pequeno terreno – nada de latifúndios! – com a satisfação de que o vosso contributo para a catástrofe climática é nulo – ou até negativo, dependendo do que plantarem!
Para semana: O problema da habitação Vale bem a pena voltar a este assunto, tão pertinente