Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

247 - Inconsistências, inconsistências

O mundo atual dá toda uma nova ênfase à velha expressão "dois pesos e duas medidas"

Alterei mais uma vez o tema face a vários acontecimentos recentes e que mostram, caso houvesse dúvidas, que a nossa sociedade dá cada vez mais ênfase e significado à velha expressão “dois pesos e duas medidas”. Mais ainda, tinha dito que falaria menos de política e mais da sociedade em que vivemos, mas, infelizmente, estas atitudes estão a tornar-se cada vez mais frequentes.

Comecemos pelo mais recente, a invasão de Ceuta por milhares de jovens marroquinos – sim, invasão é o termo correto. Estamos a falar de uma zona com 60 000 habitantes que viu chegarem, de repente, de 50 000 a 60 000 machos, todos em idade militar e, claro todos da religião da paz e do amor que tanto respeita a cultura e os costumes dos outros, como vemos diariamente por toda a Europa.

É claro que teve, no mínimo, a cumplicidade do governo marroquino, muito desagradado com as atitudes de Sánchez para com a Frente Polisário. E, claro, por muito que digam que não se aplica neste caso, a verdade é que a estúpida decisão do Supremo Tribunal espanhol não ajudou e muito menos a declaração do PM espanhol de que iria legalizar um milhão de ilegais – será que não aprendem que isso só leva à vinda de mais ilegais?

Perante a forte reação europeia, liderada por Meloni, o governo espanhol não teve outro remédio senão recambiar de imediato os supostos imigrantes para o seu país, ali mesmo ao lado. Adorei o argumento do dito PM, repetido por vários jornalistas e comentadores, de que a Itália foi quem mais ilegais recebeu em toda a União Europeia. Pois é, porque acham que a Meloni foi eleita?

Tivemos, claro, as “boas almas” do costume a dizer, “coitadinhos, vêm em busca de uma vida melhor” e a Amnistia Internacional, que nunca perde uma oportunidade de abrir a boca – e sair asneira – mostrou-se preocupada com a expulsão em massa dos 60 000, ignorando, totalmente e como de costume, os problemas causados aos residentes.

Mantendo-nos por essa zona do planeta, passemos à célebre ida a Israel de uns tantos ditos “influencers” – só conheço a Rute Sousa, cujos comentários sigo com agrado. Correram rios de tinta sobre o facto de a viagem ter sigo paga por Israel. Curiosamente, os que mais bramaram nunca perguntaram de onde veio o dinheiro gasto pelas duas flotilhas – já agora, ainda estou à espera que me mostrem a tal ajuda humanitária que estavam a levar para Gaza...

O argumento mais badalado é que as opiniões que expressaram eram pagas, daí serem a favor de Israel, e que só os jornalistas são isentos e capazes de fazerem reportagens. E dizem isto com um ar muito sério! Não sei em que universo pensam que vivem, mas neste, onde vemos o que dizem e publicam, o que mais salta à vista é o seu constante facciosismo.

Em relação ao que se passou a 7 de outubro, tivemos cerca de 24 horas de jornalismo a sério, mas logo a seguir, bem antes de Israel ter agido, já estavam a branquear as ações do Hamas e a culpar os “sionistas” – sim, soa bem melhor do que dizer os judeus, isto apesar de insultos e ataques serem indiscriminados, visando, até, muitas vezes judeus que estão contra os atos de Israel.

Ontem vi parte de um suposto debate no Canal Now em que um jornalista afirmava que a 7 de outubro não tinham metido bebés em fornos nem cometido nenhuma outra barbaridade, pedindo repetidamente à Rute Sousa que provasse essas afirmações. Curiosamente, o mesmo senhor fala nos 70 000 mortos em Gaza sem apresentar uma única prova exceto, claro, a palavra dos honestíssimos dirigentes do Hamas.

Ainda no estrangeiro, o atropelamento mortal de elementos de uma marcha do alfabeto – os LBG... – na Alemanha. Ouvi uma mulher negra a dizer que a sua primeira reação fora desejar que o autor fosse branco e cristão! Pois é, grande azar, não era branco e era muçulmano. Se o desejo da dita se realizasse, teríamos marchas de protesto dias a fio, igrejas atacadas, enfim, “a justa indignação” dos visados, mas, sendo as coisas o que são, nada se diz – exceto ser, inevitavelmente, alguém com perturbações mentais.

Curioso, não é, este apego do pessoal do alfabeto por uma religião que os considera abaixo de cão – e para um muçulmano isso é mesmo muito baixo – e o seu desprezo por quem os tolera. Como as marchas pelo Hamas e pela Palestina, onde teriam uma morte dolorosa garantida, e contra Israel, o único país da região que reconhece casamentos homossexuais – não os faz, mas reconhece os realizados noutros países.

Virando-nos para o nosso país, temos mais uma “telenovela mexicana de baixo calibre”, a do ministro da Administração Interna. Não sei se repararam, mas o PS só fala por alto do que se passa, provavelmente por temer que investigações a sérieo descubram outros problemas de quando foi Diretor da Polícia Judiciária, cargo que deveu ao “saudoso” Concordia – para quem não me costuma ler, refiro-me ao Costinha.

Os próprios jornalistas dão uma no cravo e outra na ferradura porque, crime supremo aos seus olhos, a exigência de audições parlamentares e de o caso, ou antes, os casos serem investigados a fundo é liderada pelo Chega. Ou seja, corrupção, negócios escuros, esquece-se tudo para “não fazer a vontade” àquele partido. Mas se fosse algo com alguém do Chega, por muito insignificante que fosse...

Finalmente, as pautas dos exames. Sim, foi uma tremenda confusão, mas o que mais me confundiu foi a reação de professores e respetivos sindicatos, todos muito preocupados com os atrasos sofridos pelos alunos. Serei só eu a recordar os muitos anos em que fizeram greve precisamente nessa altura, prejudicando gravemente os tais alunos que agora os preocupam?

Para a semana: Os novos “paizinhos”. Estamos rodeados de tentativas para limitar as nossas liberdades... mas para o nosso bem, claro!

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