Primeiro, um pequeno aviso: nas próximas duas semanas vou estar de férias, incluindo “férias informáticas”, por isso só voltarei a publicar este blogue no dia 17 de outubro.
Como podem ver pelo título, decidi adiar o tema proposto e falar de algo que, infelizmente, alastra cada vez mais. E não me refiro ao impacto dos chamados “influencers” na sociedade atual, estes são, na minha opinião, apenas um sintoma de algo muito mais subtil e antigo. É que, apesar da muita fama e seguidores que muitos têm, os verdadeiros influenciadores são anónimos – nem sempre, claro, o famigerado Soros é sobejamente conhecido – e as ideias e conceitos que lançam são, pelo menos no início, muito vagos, mas apelando a substratos éticos que levámos séculos a cultivar.
Por exemplo, a ideia de que uma ditadura é má, algo com que estamos todos, de acordo, e que temos o dever de lutar pela sua substituição por um regime democrático. E lá temos os “influenciáveis” a fazerem manifestações e protestos de todos os tipos contra ditadores e a favor de quem se lhes opõe. Dir-me-ão, mas isso não é desejável? Bom, nem sempre. É que o corolário de tudo isto é a presunção de que quem luta contra um ditador fá-lo por querer a democracia, mas muitas vezes a verdadeira razão de serem contra o dito é porque não é a “sua” ditadura.
Mas esta ideia está de tal modo enraizada que se apoiou uma Irmandade Islâmica no Egito contra o ditador Mubarak sem uma análise devida das ideias e projetos da dita – bom, o nome já era uma boa indicação...
“Capitalismo” também é um bom termo para levar os influenciáveis para o caminho pretendido. Dizer, por exemplo, que os ataques do 11 de setembro aconteceram por causa das desigualdades económicas nos EUA – e juntando-lhe outro termo chave, “racismo”, bom, é a receita ideal para fazer de terroristas heróis em luta pela igualdade económica e racial.
E não pensem que estes influenciáveis são jovens apanhados na sua fase idealista. Não, infelizmente há-os de todas as idades e, até, em posições de grande responsabilidade.
Veja-se o que se passou na ONU esta semana, com o inenarrável Senhor G a dizer que nunca vira tanta violência e mortes como as de Gaza devido aos ataques de Israel. Como muitos têm apontado, durante o seu mandato houve mortandades na Etiópia, Sudão e Iémen, por exemplo, e com números confirmados de modo credível. Fora o governo do Irão que se gabou, publicamente, de ter morto mais de 60 000 manifestantes, estes, sim, pessoas pacíficas que só queriam que as mulheres tivessem alguns direitos básicos.
Mas tudo bem, ignorem-se estes casos, uma vez que os culpados não encaixam na lista de “maus” que os bem-pensantes – como os influenciáveis gostam de se chamar – aceitam.
Olhando para a história, vimos repetidas vezes como ideias sem base alastraram e tiveram consequências quase sempre trágicas. E tal como agora, partiam de uma pequenina noz que falava fundo às aspirações ou temores das pessoas, como a atribuição de muitos males às bruxas. Vemos, também, que para muitos filósofos e outros pensadores de então a solução estava na educação das populações, na sua “iluminação”.
Pergunto-me o que pensariam se vissem o que se passa atualmente em que, pelo menos no Ocidente, a educação é universal e em que há mais acesso do que nunca a todo o tipo de informações. Curiosamente, os “influenciáveis” possuem um filtro milagroso que lhes permite ver apenas o que reforça a ideia, a campanha do momento. São grandes apologistas da célebre frase, “não deixes os factos interferirem com as tuas ideias”.
Ou seja, temos uma dicotomia extremamente curiosa: acesso alargado e quase ilimitado a educação e informação acoplado a um tremendo nível de ignorância sobre as coisas mais básicas – uns “iluminados” descobriram, recentemente, que para se retirar lã às ovelhas estas são esfoladas vivas...
Pessoalmente, acho que nada disto aconteceu por acaso. Há anos que o ensino oficial faz tudo para evitar que as crianças e jovens que por ele passam aprendam o mais importante e fundamental, pensar. E o processo foi o mesmo, começou-se com uma reação contra a rigidez e conformismo anteriores e depois, aos poucos, passou-se à exigência da aceitação de ideias e conceitos considerados “bons”, com ostracismo ou pior ainda para os alunos que ousassem questionar algum deles.
E o resultado está à vista, jovens e adultos que seguem cegamente a questão da moda, sem se informarem e, em muitos casos, sem verem o absurdo das suas posições. Como os “queers for Palestine”, será que têm alguma ideia de como os homossexuais são tratados ali e noutros países muçulmanos? Ou as “feministas” que defendem o uso da burca porque é uma escolha da mulher. A sério? Saberão o que lhe acontece se decidir não a usar?
Ouvimos muito dizer, aqui em Portugal e referindo-se aos jovens adultos, que são a geração mais educada de sempre. Bom, se estamos a falar de terem cursos universitários e similares, até concordo. Mas muitos de gerações anteriores não os tinham, mas não se deixavam levar cegamente como vemos repetidas vezes acontecer atualmente, em que se repete à saciedade frases e chavões que nunca passariam na mais simples comprovação de veracidade.
Resumindo, nunca houve tantas possibilidades de adquirir conhecimentos, por muito esotérica que seja a área escolhida, mas também nunca houve tanta ignorância generalizada e tanta carneirada – pelo menos as pessoas de séculos passados tinham a desculpa, totalmente válida, de que não sabiam porque não tinham como ter acesso ao conhecimento, uma vez que este estava reservado a uma minúscula elite.
Mas agora, qual é a desculpa? Preferirem passar pela vida em paz no seu papel de “influenciáveis” a ter de pensar por si?
Para a semana: O novo pão e circo? Dos anúncios de "benesses" aos pobrezinhos à saturação do futebol