Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

256 - Os protestos na Europa

Pois, são mesmo sobre casas e educação...

Afinal a pausa acabou por ser de três semanas devido a uma forte gripe que me atacou precisamente quando ia retomar a minha atividade normal.

E, curiosamente, o tema de hoje, inspirado pelo que temos visto nos últimos dias sobretudo em Portugal e em França, está um pouco (bom, bastante) na linha do meu post anterior, Influenciáveis.

Muito tem sido dito, demasiado, até, sobre os protestos que têm decorrido nestes últimos dias. Mas ainda não ouvi mencionar o estranho detalhe – pelo menos para mim – de, apesar de decorrerem na mesma altura, o “tema” variar de país para país, sendo sempre algo na frente das preocupações de muita gente que ali vive.

Assim, temos a educação em França, onde há, de facto, problemas nesta área, e a falta de habitação acessível em Portugal, algo infelizmente bem real para quem aqui vive.

Mais ainda, os protestos começam, de facto, com jovens mas rapidamente surgem outros elementos que fazem descambar toda a situação. Vejam-se em França as imagens dos saqueadores, por exemplo.

Um outro elemento comum é a presença de símbolos que nada têm a ver com o assunto, curiosamente, sempre a bandeira da Palestina e de países não europeus, e de “iluminados” que tudo desculpam se for obra de gente que acham estar do lado “certo”. Como um caso em França em que uma ativista supostamente feminista chamou “dano colateral inevitável” a uma ameaça de violação de uma mulher na presença do filho.

Para além de terem todos o mesmo conceito de democracia: bandeiras palestinianas e similares sim, bandeira de Portugal (ou de França) fascismo, mais as votações de braço no ar, o impedirem de falar quem achem que não lhes vai agradar, enfim, o velho conceito esquerdista da liberdade.

Junte-se a tudo isto o papel vergonhoso da comunicação social, sempre pronta a “comprar” todas as histórias dos supostos manifestantes, como a infiltração de elementos da extrema-direita – curioso como numa época em que anda tudo de telemóvel na mão ninguém os tenha filmado...

Só para esclarecer, não tenho a menor dúvida de que inicialmente os protestos incluíam pessoas que estavam ali pela habitação ou pela educação. Mas também acredito que, face ao que ali viram, debandaram a alta velocidade, deixando apenas os de costume – sabem, os que hoje são climáxicos, amanhã outra coisa qualquer. Já agora, não é curioso que aqueles jovens, tão a favor do ambiente, segundo dizem, tenham deixado tanto lixo em espaços públicos?

Mas vamos à questão da habitação, supostamente o motivo de tudo isto. Já falei anteriormente deste assunto em Alugueres, o problema impossível (2022) e em O problema da habitação (2023) em que falei precisamente dos problemas de alugar uma casa e da falta de casas à venda por preços razoáveis.

A questão piorou imenso com a política de portas abertas do Sr. C. E não é culpar o imigrante, mas se entram em cinco anos mais de 1 milhão de pessoas, quase todas adultas, num país de cerca de 10 milhões, o resultado não pode ser bom. Sim, conheço o argumento de que não compram casa, e até é verdade, mas alugam-nas, aumentando a pressão num mercado já deficiente em oferta.

Ouvimos também criticar os muitos que dizem que tiveram de fazer grandes sacrifícios durante anos para poderem comprar casa e que não entendem estes jovens. As críticas são em duas frentes. Primeiro, citam o custo de uma casa nessa época comparado com o atual, esquecendo-se de fazer o mesmo com os salários (bem mais baixos então, em valores comparativos) e com os juros (que eram bem mais elevados).

A outra é algo com que eu até concordo, em parte: não podemos querer que os nossos filhos e netos passem pelas mesmas dificuldades, isso seria defender a total estagnação da nossa sociedade.

E porque disse em parte? Bom, ouvindo manifestantes e vários elementos que se dizem ser os porta-vozes do movimento, há uma ideia que fica muito clara: não querem habitação acessível, querem-na gratuita, paga, claro está, por essa figura mítica, o Estado – pois, de onde acham que este obtém dinheiro, de alguma mina de euros?

Ouvi, até uma criatura, muito aplaudida pelos que a rodeavam, dizer: “Não pedi para nascer, o Estado tem a obrigação de me dar alimentação gratuita, casa gratuita e dinheiro para gastar.”

E é aí que está o problema. A culpa não é dos jovens, já o disse noutro post e voltarei ao assunto noutra altura, mas do modo como foram educados. É que muitos pais, cientes das dificuldades porque passaram, decidiram que os filhos não as sentiriam, com um efeito nocivo sobre a prole.

Temos, pois, jovens que chegam à idade adulta sem fazer a menor ideia do custo das coisas básicas, que só sabem exigir – o último telemóvel, roupa da moda, saídas, etc. – e que nada fazem em prol da família (ou deles próprios). Se por acaso arranjam trabalho temporário, é para pagar festivais de música, noitadas e outras farras.

Sim, há exceções, como sempre, mas para muitos é esta a visão que têm da vida. Junte-se a isso uma ideia extremamente utópica sobre o que valem no mercado de trabalho e é uma receita para o desastre. Pois é, têm licenciaturas ou até doutoramentos, mas em quê? E o que sabem, de facto, fazer?

Finalmente, a ideia muito apregoada pela nossa tão isenta comunicação social de que os manifestantes são “jovens que trabalham” e não conseguem arranjar casa dentro das suas posses. Pelos vistos não fizeram a perguntinha essencial, se trabalham, como é que têm tanto tempo livre para estarem ali? Tiraram férias não pagas?

Já agora, tem havido jornalistas muito indignados pelos ataques à sua profissão. Que tal fazerem o vosso trabalho? Por exemplo, em vez de virem logo com o “coitadinha” no caso do despejo de uma “viúva” com dois filhos, que tal investigarem e revelarem que a dita só está agora na casa porque agrediu e expulsou o titular do aluguer, o avó de 84 anos do pai das ditas crianças?

Para a semana: Enlouquecemos? Inúmeros casos que me levam a pensar que sim, pelo menos no Ocidente.

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