Sei que já vou um pouco atrasada com este post, muitos já terão tirado as suas férias ou estarão prestes a iniciá-las, com programa já feito – bom, para muitos, é apenas o seu usual nesta época do ano. Mesmo assim, poderá sempre olhar com outros olhos para esse período e pensar se não haverá uma alternativa melhor – sejamos sinceros, há férias que nos deixam mais exaustos e stressados do que um ano inteiro de trabalho.
Ora esta não é a primeira vez que falo da questão das férias, dando sugestões diversas para não serem como as de toda a gente. Fi-lo em dois posts anteriores, E são férias e Falemos de férias, em que falei, também, um pouco da evolução deste conceito (e a origem da palavra) e do facto de que ter um mês de férias pagas é um conceito muitíssimo recente e ainda não praticado em todos os países, nomeadamente a China!
Basicamente, sugeri que olhássemos para as férias como um período em que faríamos o oposto da nossa atividade usual. Ou seja, se temos uma vida laboral muito sedentária, optar por nos mexermos mais, saindo, fazendo coisas mais físicas. E, claro, se temos uma forte atividade física onze meses por ano, usar o décimo segundo para relaxar. Ou seja, isto marcaria bem a diferença entre os dois períodos.
Indiquei, também, programas diferentes e, caso a idade dos filhos e o tipo de atividade laboral o permitam, optar por tirá-las numa época diferente ou, até, dividi-las. E como mais uma opção, ir tirando um dia de vez em quando como sendo de férias – atenção, não significa faltar ao trabalho mas apenas fazer algo diferente e de lazer, sem pensar em compras, tratar da casa, etc.
Desta vez quero falar de usar as férias para outros fins que não apenas o mero lazer.
Por exemplo, para criar, manter e fortalecer laços familiares, seja com os filhos seja entre o casal. Poderá estar a pensar, mas tiramos sempre férias juntos, que mais podemos fazer? Pois é, o problema é que proximidade nem sempre é um sinónimo de aproximação, de contacto. Passo a explicar.
Entre o trabalho – sobretudo se ambos têm empregos fora de casa – e os filhos, muitos casais pouco tempo têm para conversar. Não me refiro, claro, à troca de frases respeitantes ao que há para fazer, problemas, etc. Não, falo de passarem simplesmente um tempinho a relaxar juntos e a conversar sobre o que lhes vem à cabeça, sem a pressão de ter de “apagar algum fogo”.
É um círculo vicioso, quanto menos tempo têm a sós, mais se habituam a essa situação e, se de início ainda faziam algum esforço – o que em muitos filmes americanos aparece como “noite de namoro” – aos poucos entram na rotina. E um belo dia descobrem que os filhos saíram de casa, estão novamente sozinhos e já não sabem o que dizer um ao outro, basicamente, já mal se conhecem.
Que tal aproveitar as férias para refazer essa ligação? Não o tempo todo, claro, sobretudo se há filhos pequenos estes exigem sempre muita atenção e cuidados. Refiro-me a tirar umas horas para uma escapadela – mas não sem cair na tentação de ocupar totalmente esse tempo com atividades, isso só iria ser mais do mesmo, ou seja, ruído de fundo a distrair da relação a dois.
É também uma boa altura para criar recordações com os filhos, desde pequenos. Mesmo que vá para um destino de praia com intenções de gozar apenas sol e mar, olhe à sua volta, veja se há alguma atividade ou distração diferente que possam fazer em família. É capaz de ficar surpreendido com o muito que há atualmente disponível. E se tem vários filhos, planeie algo a fazer com cada um deles separadamente, dando preferência a coisas que sejam do agrado do filhote em questão – muito francamente, é pouco provável que tenham todos os mesmos gostos e interesses.
As férias também são uma boa altura para analisar a sua vida e para fazer alguns planos para o futuro. Não no sentido vago de uma lista de intenções de Ano Novo, tipo, “este ano vou viajar, vou aprender línguas, vou...”, mas sim uma coisa um pouco mais concreta.
Por exemplo, sente-se profissionalmente realizado? E se não está, o que pode fazer para melhorar ou até alterar a sua situação? Mais qualificações? Ou uma mudança completa de rumo? Não é tão raro como poderá pensar, vi recentemente uma série na RTP1 chamada Repovoadores que falava precisamente de pessoas, jovens ou mesmo nada jovens, que largaram as suas vidas numa grande cidade para se dedicarem a algo totalmente diferente numa vila ou zona mais rural de Portugal.
Se sempre sonhou com outro tipo de vida, que tal aproveitar as férias para olhar à sua volta, ver as oportunidades que existem e as que pode criar? Não estou a dizer que largue tudo e se atire de cabeça numa nova aventura de vida mas sim que use o seu período de lazer para uma pesquisa no terreno. Fale com pessoas que vivem como acha que gostaria de viver, enfim, “apalpe o terreno”.
Ainda na onda do melhoramento pessoal, sabia que algumas universidades portuguesas têm cursos de verão abertos a toda a população, jovens ou adultos, normalmente entre julho e setembro? A Universidade de Lisboa, por exemplo, tem uma lista bastante extensa e variada. A NOVA FCSH tem cursos curtos (de 15 a 25 horas) nas áreas das ciências sociais e humanas. E há outras.
As escolas de línguas também têm cursos intensivos de verão – é a sua oportunidade para aprender, finalmente, um pouco de inglês... É claro que há cada vez mais cursos e formações de verão para crianças e jovens, mas estava a pensar mais nos adultos da família. Se já não estuda há anos, aqui está algo que entra na categoria de “algo diferente” para distinguir as férias do resto do ano.
E boas férias!
Para a semana: Os novos “paizinhos”. Estamos rodeados de tentativas para limitar as nossas liberdades... mas para o nosso bem, claro!