Devido a alguns factos desta última semana decidi não fazer o tema anunciado e tratar de dois outros assuntos, Israel e o SNS.
Comecemos por Israel. Estou cada vez mais chocada com comentários que ouço um pouco por todo o lado, alguns vindos até de pessoas que conheço pessoalmente e que julgava detentoras de um mínimo de bom senso. O principal é que “Israel deve entregar os territórios ocupados, só assim haverá paz”, frase essa também muito usada por aquela “boa gente” que se manifesta na Europa a favor dos palestinianos. Só que, pelos vistos, andam distraídos e ainda não repararam que o principal “território ocupado” é... Israel!
Ou seja, para ter paz, Israel deve eliminar-se do mapa e, para fazer face à segunda exigência dos “ocupados”, obrigar os seus cidadãos a suicidarem-se em massa para que “não fique um único judeu naquela região”.
E se acham que exagero, aconselho-vos a ouvirem as entrevistas com o líder do Hamas, e não só, ainda ontem esteve na televisão a dizer precisamente isso, e, lembro, este movimento foi eleito para o governo dos territórios palestinianos precisamente com esta agenda.
Curiosamente, não vemos manifestações em massa a exigir a libertação dos reféns, apesar de alguns serem cidadãos europeus ou, no mínimo, com dupla nacionalidade. É que pelos vistos os “civis inocentes” de que tanto ouvimos falar não nascem todos iguais, os que foram raptados são maus, os que protegem os criminosos que os raptaram são bons.
E por falar em civis, não é estranho que comentadores e analistas passem a vida a falar em crimes de guerra por Israel atacar zonas civis mas que nada digam por o Hamas as usar como base para os seus ataques? Usar escudos humanos não é contra o direito internacional? Mais ainda, com tantos quilómetros de túneis, se o Hamas está tão preocupado com os “milhares” – números deles, lembro – de mulheres e crianças que estão a ser mortas, porque não lhes dão abrigo nos seus túneis? Ou porque não as encoraja a irem para o sul da Faixa de Gaza, onde não tem havido ataques? Pois...
E lá temos a ONU e esse Sr. Guterres com condenações – curioso, também eles nada disseram até agora sobre reféns e escudos humanos – e, claro a pedir milhões para ajuda humanitária, a serem entregues, claro está, ao Hamas como legítimo representante do povo palestiniano.
E, último detalhe, o hospital de Gaza está para entrar em rotura total há vários dias, mas afinal ainda está a funcionar, o seu pessoal até tem tempo para publicar nas redes sociais...
O que me leva ao segundo assunto, a saúde. Ou antes, ao caos em que se encontra e às negociações e finca-pé dos vários sindicatos de enfermeiros e médicos. Atendendo a que saem todos os dias notícias pavorosas sobre o que se passa nos hospitais e sobre o fecho de Urgências a torto e a direito, acham que é a altura melhor para falarem em salários, redução do horário de trabalho e carreiras? Que tal um pouco de bom senso na escolha da altura para negociar? Ou será que se querem aproveitar da confusão para insinuar que se vos derem tudo o que pedem a situação melhorará logo?
Francamente, considero isso um verdadeiro insulto a quem vê uma boa fatia do que tanto se esforça a ganhar ir sustentar toda essa pesadíssima máquina do SNS e sem receber nada em troca. Mas parece que não contamos para nada exceto ir abrindo os cordões à bolsa, cada vez mais vazia.
Adorei ouvir uma sindicalista falar da justeza da redução do horário de 40 para 35 horas semanais porque “queremos poder equilibrar vida profissional e pessoal”. E as horas que fazem no privado, em suplemento do horário oficial, essas não interferem com a vida pessoal?
Sim, é muito bonito quererem mais equilíbrio nas suas vidas. Mas sabem o que é que as pessoas que vos sustentam querem? Viver! Não é viver à grande ou com tempo livre, é, muito simplesmente, continuarem vivas.
Mais ainda, querem saber que se tiverem um problema de saúde ou se um seu familiar o tiver serão atendidos e bem tratados, em vez do que acontece agora que nem se sabe onde há uma Urgência aberta. Ou, se estiver para nascer um bebé, que haverá um sítio onde isso possa acontecer em segurança. Sim, o hospital de Gaza tem problemas, mas há uma guerra ali. Qual é a vossa desculpa?
O grande engano é a ideia de que precisamos de um Sistema Nacional de Saúde público. Não! Precisamos, isso sim, de um SNS que cumpra os seus deveres, independentemente de quem o faz. Ou seja, que tal o governo definir quanto paga por cada caso que vai às Urgências – uma tabela, claro, dependendo do que se passa – e por cada parto realizado e deixar que o utente escolha onde vai, seja público ou privado? Aposto que com esta comparticipação muitos, se não todos os hospitais privados abririam uma secção de Urgências, além do mais ajudariam a rentabilizar equipamento e instalações.
Mas isto é anátema para a nossa esquerda, não querem um SNS que funcione, querem apenas um que seja público. Já agora, que fatia do aumento anual de custos com a saúde se deve à roubalheira das carreiras? Sim, roubalheira, somos o único país que premeia pessoas – pessoas, não, funcionários públicos – por passarem anos a fazer sempre a mesma coisa.
E se realmente há falta de médicos ou se os atuais acham que estão mal no público e querem sair, à vontade, importem-se de outros países, esses, sim, são migrantes que nos interessam. Com controlo, claro, mas a Ordem dos Médicos teria um prazo curto para avaliar as suas habilitações – semanas e não meses ou anos. Aqui o grande argumento que tenho ouvido é que “muitos não falam português.” Pois, têm capacidade para tirar medicina e não conseguem aprender uma língua? E, como dizia um velhote algures numa zona interior onde puseram um médico “importado” que ainda mal falava a nossa língua, “quero lá saber o que ele fala, o que eu quero é ter médico”.
E o nosso governo, em vez de tentar, no mínimo, remediar o que não funciona, anda a gastar horas e horas a negociar com quem deixou o sistema chegar a este estado. Mas são funcionários públicos, ou seja, eleitores cativos da esquerda e, como tal, merecem todo o seu respeito e consideração.
É o que se chama ter o sentido das prioridades!
Para semana: Os impostos baixam... Quem diria! E nem estamos em abril...