Os acontecimentos desta semana levam-me, mais uma vez, a alterar o tema que tinha programado para publicar hoje. Mas houve vários “detalhes” que me incomodaram bastante, bom, alguns já duram há algum tempinho. E para quem estiver interessado e não tenha lido, a parte 1, sem esta identificação, está em Jornalismo ou Jornalixo?
Comecemos pela política. Eu já estava a estranhar ver a nossa comunicação social a atacar socialistas de topo e até o nosso PM. Pelos vistos deve ter sido o choque das acusações terem surgido sem que soubessem de nada, ou seja, sem as tão famosas fugas ao famosíssimo segredo de justiça.
É que, menos de uma semana depois, voltou tudo ao “normal”. Comentadores e jornalistas repetem à saciedade o chavão da presunção de inocência que, curiosamente, só existe para quem alinha pela cor política “certa”, é que em casos em que se falou vagamente em acusações similares de pessoas da chamada direita – atenção, boatos, não indiciamentos formais – os mesmos berravam por demissões e aí a presunção era de culpa – lembram-se de Carmona Rodrigues e dos terrenos da Feira Popular?
Mais ainda, acham perfeitamente normal que um governo demissionário por corrupção tome decisões económicas importantes como a Linha Violeta do Metro e a TAP? Ora isto só é possível graças ao prazo alargadíssimo que o senhor de Belém decretou para as novas eleições e que continua, também, a não merecer reparos contra.
Mas temos melhor. Começaram, agora, a esmiuçar as acusações do Ministério Público, numa tentativa clara de as tornar nulas. Já agora, com o tipo de erros que têm aparecido, acho que o MP devia era investigar a fundo quem os cometeu – filiação partidária ou simpatias políticas, círculo de conhecidos e amigos, contas bancárias... é que são mesmo estranhos.
Mas o que me deixa curiosa é passarem horas a discutirem, por exemplo, o facto de terem apontado mal o local de uma reunião, como se isso fosse o mais importante e não o facto de esse encontro ter acontecido!
Enfim, a sensação que fica é que, passado o tal choque inicial que referi, os nossos jornalista meteram mãos à obra para tentar ilibar todos os envolvidos e, acima de tudo, para que o seu bem-amado PS ganhe as próximas eleições e nos continue a dar mais do mesmo.
E, última nota sobre este assunto, já ouviram criticar o Sr. SS – para os mais distraídos, o Santos Silva da AR – pelo que tem dito sobre o MP e a necessidade de celeridade da justiça? Primeiro, como segunda figura do estado, algo que repete vezes sem fim, e líder do seu órgão legislativo, a famosa separação de poderes deveria impedi-lo de abrir a boca. Segundo, e mais importante a meu ver, porque é que o caso de um ex-ministro ou outro amigo do PM precisa de ser resolvido rapidamente mas o do Zé dos Anzóis pode arrastar-se anos a fio, muitas vezes sem uma acusação formal? De acordo com a Constituição, outra vaca sagrada da esquerda, não somos todos iguais perante a lei?
Passemos agora ao que se passa em Israel e que ainda dá uma imagem pior do que é o jornalismo atual, neste caso, infelizmente, em todo o Ocidente.
Ouvindo as notícias, fica-nos a dúvida se estamos perante órgãos de uma imprensa livre ou de meros porta-voz do Hamas. É que tudo o que estes terroristas dizem é aceite como sendo a verdade pura e dura e ninguém faz perguntas que essas criaturas possam achar inconvenientes.
A preocupação com os civis, por exemplo. Já ouviram alguém perguntar porque não os deixam refugiar-se nos célebres túneis enquanto decorrem os combates? Mais ainda, vemos em imagens muitas vezes em direto disparos de todo o tipo, até de rockets, vindos de prédios de apartamentos. E quando o dito edifício é destruído... pois, só lá havia civis, ou antes, mulheres e crianças.
Pelos vistos ninguém ouviu o líder civil do Hamas dizer que esta guerra está a criar mártires e “estamos dispostos a que haja muitos mártires”. Ou seja, o dito “senhor” continua na sua vida de luxo no Qatar enquanto os civis são convertidos em mártires!
Mas o que se tem dito sobre os hospitais, sobretudo o Al-Shifa, ultrapassa todo o bom senso. Independentemente de termos visto, bom, quem quis ver, rockets e tiros a serem disparados do interior daquele enorme complexo, há a crença feroz na nossa comunicação social de que só lá estão médicos, doentes e outro pessoal de saúde! Como li num comentário feito a um artigo do Observador, se só houvesse lá dentro esse tipo de pessoas, porque é que as tropas israelitas levaram vários dias sem lá entrar, cercando-o, aos poucos, até deixar de haver resposta militar?
Sim, atacar hospitais é contra o direito internacional. Mas o mesmo direito diz que se um hospital for usado como centro militar ou base para ataques, então passa a ser um alvo legítimo. Mas só ontem é que ouvi um comentador a falar disso e na ilegalidade de o Hamas estar a usar escudos humanos – suspeito que não volta a ser convidado, não seguiu a cartilha...
Último ponto, a quase agressão física e os insultos que sofreu a deputada Rita Matias do Chega numa Faculdade de Lisboa onde estava a distribuir panfletos, com berros de abaixo os fascistas e viva a democracia. Pelos vistos, os “filhotes da esquerda caviar”, mais conhecidos como climáxicos, acham que democracia significa ninguém se poder opor ao que dizem e fazem. Mais ainda, que eles têm toda a legalidade de cortar estradas e atacar edifícios mas o Chega “não tinha legitimidade para estar ali”. Imaginem as notícias e comentários da nossa comunicação social se isso tivesse acontecido com alguém do PCP, BE ou até do PS!
Para semana: Não podemos confundir... É o que se ouve se há certos protestos, mas nunca se estes forem contra outros alvos