Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

122 - Desejos para as eleições

Como ainda falta um mês, pode ser que alguém escute...

Primeiro, um pequeno esclarecimento. Estes desejos não são para o que venha a acontecer depois das ditas eleições em termos de realizações e projetos, são, isso sim, o que eu desejaria que acontecesse até lá... e não só.

Primeiro desejo, seria tão bom se partidos, jornalistas, comentadores e outros parassem de insultar os eleitores portugueses ou, pelo menos, os que não têm intenção de votar da maneira que consideram “certa”? É que as cenas a que assistimos e as coisas que ouvimos são francamente chocantes, sobretudo atendendo a que muitas dessas pessoas até são sustentadas pelos impostos pagos pela tal “gentinha” que tanto desprezam.

Refiro-me, claro está, à afirmação inúmeras vezes repetida de que é inútil votar no Chega. Ou que quem o faz ou tenciona fazer é fascistas, neonazi, enfim, os mimos do costume. Curiosamente, ainda não vi nenhuma dessas pessoas analisar as verdadeiras razões do aumento de popularidade desse partido pária que, acreditem, são inúmeras e nada têm a ver com o dito mas sim com o crescente descontentamento da população. Mas para quê fazê-lo se partem do princípio que é tudo gente estúpida e ignorante?

O que me leva diretamente ao segundo desejo: parem de distorcer as coisas para que encaixem na vossa visão do mundo! Voltando ao Chega – pois, com a obsessão nacional em deitá-lo abaixo é inevitável – temos, por exemplo, um suposto Fact Check do Observador. Já agora, lembro que para muito boa gente este jornal online é considerado de direita. Pois bem, Ventura terá dito que 80 % da população da cidade de Braga era estrangeira. E lá vem o dito Fact Check afirmar que é mentira, usando para isso dados do Distrito de Braga que, lembro, engloba, por exemplo, Barcelos, Guimarães e muitas outras cidades. Ou seja, são fervorosos praticantes da técnica de Mentir dizendo só a verdade.

Continuemos com os jornalistas, apesar de terem melhorado um bocadinho, talvez por verem o que está a acontecer em todo o mundo a meios de comunicação enfeudados à esquerda e extrema esquerda. Mesmo assim, o meu desejo é que comecem a fazer jornalismo a sério, com indagações sérias a toda gente e, acima de tudo, com perguntinhas inconvenientes – quantos seguiram a história da “coitadinha” da avó da Mortágua que esteve para ser despejada da casa onde vivia? Ou quantos perguntam ao PAN ou à IL se estão mesmos dispostos a venderem-se a quem lhes oferecer um tacho no governo – desde que não inclua o Chega, claro está.

E passamos agora ao senhor de Belém, que terá dito que só deixará formar governo o partido mais votado. Hum... não foi este mesmo senhor que elogiou e apoiou a geringonça, formada, lembro aos mais distraídos, com base no segundo partido mais votado? Ou será que está à espera que as sondagens tenham razão e que sejam os seus amigalhaços rosa os mais votados? Seja como for, acho inconcebíveis afirmações deste género, podem, até, muito francamente ser consideradas como uma tentativa de influenciar o voto dos portugueses que, de acordo com a nossa Constituição, deve ser totalmente livre.

Mais um desejo, gostaria imenso que os vários partidos passassem menos tempo – ou até tempo nenhum – a insultarem-se e o gastassem a explicar muito detalhadamente o que propõem fazer se chegarem ao poder e, acima de tudo, como. Já agora, que tivessem pela frente jornalistas a sério que os questionassem sobre os efeitos colaterais das medidas que afirmam que iriam tomar, por exemplo, as “soluções” do BE para a habitação ou do PCP para o SNS... mas não só, todos sabemos que o período pré-eleitoral se distingue por afirmações totalmente delirantes, mais adequadas a um qualquer filme surrealista. E ainda não chegámos aos tempos de antena...

Também em relação aos partidos, seria tão bom vermos mais caras, sobretudo nos que têm boas expectativas de elegerem vários candidatos. É que apesar de não termos nada a dizer sobre quem pomos, especificamente, na Assembleia da República, a tática atual de mostrar praticamente só os vários cabeças de lista soa um bocadinho a desprezo pelos eleitores – pois...

E passamos, agora, aos círculos eleitorais – lembro que não entendo porque existem, como disse em Adorava saber... Mas como fazem parte da nossa pesadíssima máquina eleitoral, que tal TVs, rádios e jornais nacionais passarem a ter uma secção em que mostram o que cada partido tenciona fazer por cada um dos círculos eleitorais em que concorre. E nada de “batotas”, resolver o problema da habitação é algo nacional e não regional, por isso não conta.

Finalmente, algo que também já tenho referido, a criação de uma lista, partido por partido, com todas as promessas e planos que vão lançando para o ar durante este período. E depois, os que fizessem parte do governo teriam de explicar muito bem, antes das próximas eleições, as razões do seu incumprimento – sim, não tenhamos ilusões, a quase totalidade da lista ficará, certamente, por cumprir.

Bom, acima de tudo, seria bom se, pelo menos por uma vez, tivéssemos uma campanha eleitoral cordata e, acima de tudo, informativa e esclarecedora, para que todos pudessem votar com conhecimento de causa e não por mero hábito, como muitos o fazem atualmente. Esse, sim, é o meu maior desejo.

Pois... talvez tenha mais sorte com o Pai Natal ou com a Fada dos Dentes...

Para a semana: Controlo da emigração Ao contrário do que nos querem fazer pensar, não é xenofobia.

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