Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

135 - Em vez de...

Sugestões de opções para alguns problemas atuais

De um modo geral, sempre que há um problema neste país a solução proposta envolve sempre atirar-lhe com dinheiro. Segundo parece, quem nos governa, e a esquerda em particular, pode não acreditar que o dinheiro traz a felicidade mas é, sem dúvida, crente da teoria de que resolve tudo – talvez não a morte, mas tudo o resto.

Só que andamos há anos a desbaratar o muito dinheiro que nos tem vindo de Bruxelas e os muitos milhões arrecadados com os pesadíssimos impostos que nos oneram sem que se veja qualquer melhoria, muito pelo contrário, é, até, frequente as coisas piorarem.

Basicamente, acho que isso vem de não se seguir uma regra muito repetida nos numerosos programas de renovação de casas que vemos na TV e que é, muito simplesmente, “mede duas vezes para cortares só uma”. Traduzido para a resolução dos problemas nacionais daria algo como, “analisa duas vezes antes de gastares uma”.

E tendo isto em vista, aqui ficam algumas pequenas sugestões minhas.

Em vez de... uma imigração descontrolada porque precisamos de mão-de-obra para setores básicos onde falta, que tal pensarmos em modos diferentes de fazer as coisas?

A construção civil, por exemplo, um dos setores sempre citados – e com toda a razão, no panorama atual. Ora acontece que há cada vez mais empresas, até em Portugal, a fabricarem elementos para construção civil que basta, depois, instalar no local. E a variedade de elementos disponíveis também disparou, há até quem faça edifícios inteiros desse modo e não estou a falar de pequenas moradias.

Mais ainda, a ideia de construção modular ganha cada vez mais terreno sobretudo por ser muito mais rápida – e como sabemos, ou devíamos saber, quanto mais depressa um edifício ficar pronto, mais depressa pode começar a render.

Há, ainda, a vantagem adicional de converter muita da mão-de-obra não qualificada atual em trabalhadores fabris, melhorando consideravelmente a sua qualidade de vida. E, vantagem adicional, o mesmo número de pessoas estaria a trabalhar em inúmeros edifícios ao mesmo tempo, diminuindo, em muito, a procura de pessoas não (ou pouco) qualificadas.

E quem diz a construção civil diz outros setores, como a agricultura, fazendo um estudo a sério – não um daqueles que são um mero pretexto para pagar chorudos salários a um monte de gente durante imenso tempo – sobre o que se dá melhor em cada zona e região, o que é mais rentável e o melhor modo de o produzir. É que vendo certos problemas que se arrastam há anos neste setor, apesar de todos os subsídios e ajudas, fica-me a ideia de que o problema está em querer continuar a fazer o mesmo que sempre se fez e do mesmo modo, modo este que nem sempre se adequa ao nosso país.

Em vez de... querer mais camas de hospitais e recursos similares, que tal usarmos melhor os recursos que temos?

Vi há uns dias que o Hospital de São João, no Porto, criou um programa inovador em fisioterapia, ensinando os cuidadores a orientá-la no conforto do lar. Sim, nem sempre é possível, claro, mas há muitos casos em que é um desperdício de tempo o paciente ter de se deslocar para a fazer – isto para não falar do incómodo e despesa que isso muitas vezes lhe traz – e da espera por uma vaga...

E há muitas outras áreas em que se podia inovar, melhorando, ainda, o bem-estar dos pacientes. Vi um documentário francês há uns tempos sobre um modo inovador de fazer hemodiálise. Em vez de os abrangidos passarem longas horas num hospital ou centro médico, com grave prejuízo para a sua vida laboral ou escolar, recebiam pequenas máquinas de uso individual que aprendiam a usar – caso fossem crianças, seria um adulto a ter isto a seu cargo. Podiam, assim, fazer o tratamento ao fim do dia, mantendo o seu emprego ou uma vida escolar normal, mais ainda, sem se sentirem “diferentes”.

Não sei se este programa ainda se mantém, mas seria, certamente, algo a explorar. Ou seja, a ênfase nos gastos com a saúde deveria ser o que é melhor para os seus utentes – e muitas vezes isso implica arranjar soluções que levem a saúde até eles em vez de os forçarem, como agora, a irem ter com a saúde.

Em vez de... tanta indignação por haver escolas que começam a impor um código de vestuário, que tal preocuparem-se com a suposta igualdade nas aulas? Refiro-me, claro, a não poder haver turmas de “bons” e turmas de “maus”, supostamente porque isto traumatizaria as criancinhas.

Resultado de estar tudo à molhada? Os alunos com dificuldades não melhoram porque não têm apoio adicional. Mais ainda, muitos sentem que nunca conseguirão acompanhar o ritmo dos outros e desistem, muito simplesmente.

Mas também é péssimo para os bons alunos. É que como as aulas são dadas nivelando por baixo, digamos, morrem de tédio e acabam, também eles, por se desinteressar, embora por razões diferentes.

Não seria melhor criar turmas mais pequenas para os chamados “alunos maus”, onde estes teriam um acompanhamento mais pessoal? E outras para “alunos bons”, onde o ritmo já poderia ser mais acelerado e o nível de dificuldade maior?

Mais ainda, atendendo a que há alunos que são bons em certas matérias e maus noutras, que tal não os pôr na mesma turma para tudo? Ou seja, teriam uma para as matérias em que têm dificuldades e outra para o resto. E assim que melhorassem, ou piorassem, mudariam de turma – isto poderia ser um bom incentivo para se interessarem mais pelas aulas, é que muitos só têm problemas porque começaram a ficar para trás e, com o passar dos anos e as tais turmas “à molhada”, esse atraso foi-se agravando.

E há, certamente, muitas outras áreas em que esta “técnica” de em vez de... poderia dar ótimos resultados e, se não fosse com custos menores, seria, certamente, com uma melhor aplicação do dinheiro gasto.

Para a semana: As reparações. Ou, título alternativo, quem deve a quem

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