Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

144 - Incongruências

Mais algumas coisinhas que me intrigam...

Este é mais um post sobre algumas coisinhas que me intrigam na nossa sociedade.

Comecemos pela reação à presença de cada vez mais estrangeiros no nosso país. É absolutamente anátema dizer seja o que for contra os que acampam selvaticamente em bairros de Lisboa e muito menos sobre o disparo, ou antes, a explosão nuclear da insegurança e da criminalidade. E quem acha que um país europeu tem o direito de controlar quem passa as suas fronteiras e quem ali vive é apelidado de tudo e mais alguma coisa e só não é fisicamente linchado porque ainda não calhou.

Mas...

Curiosamente, é quase obrigatório dizer mal dos muitos turistas que nos visitam e que, esses sim, sempre deixam algum dinheiro em vez de viverem do nosso. Os mesmos que acham que é tolerância deixar entrar todo o “migrante” que se lembre de aparecer, berram e barafustam contra a “invasão turística” e lastimam haver muitas zonas em que quase não se veem portugueses – mais uma vez, se forem estrangeiros não turistas, sobretudo das etnias “certas”, então tudo bem, podem ocupar à vontade o espaço todo e, pior ainda, ameaçar (e não só) os portugueses que, por azar, tenham de passar por ali ou que ali vivam.

O mesmo se passa com os vistos. Tanta indignação com os Vistos Gold porque, segundo diziam, em nada contribuíam para a riqueza do país – exceto os chorudos impostos da compra de uma casa de luxo e, mais importante ainda, o facto de não virem viver à nossa custa. Mas um “migrante” ou suposto refugiado já pode entrar à vontade e desaparecer no meio da população sem que isso os indigne? Pois, o argumento é que muitos até vêm para trabalhar – e eu é que sou otimista...

Na mesma onda, temos agora uma ministra que afirma, alto e bom som, que haverá tolerância zero para racismo e xenofobia nas polícias. E à primeira vista, eu até concordo.

Mas...

Como todos sabemos – aparentemente, ela não – se um não branco tiver um desacato com a polícia desata logo a berrar que foi atacado por racismo, etc. Está, até, muito na moda publicar vídeos em que se mostra violência policial. O que nunca vemos é o que se passou antes. Ou seja, o que levou aqueles polícias a perderem a cabeça? Que insultos e agressões sofreram? É que por muito que seja de reprovar o uso da força por parte das forças policiais, não nos devemos esquecer de que os agentes são pessoas e que só eles sabem o muito que ouvem e sofrem diariamente, o mesmo se aplicando aos guardas prisionais.

Também acho curioso o modo como o entusiasmo pelo uso de câmaras corporais da polícia tem esmorecido, já tenho, até, ouvido dizer que deviam ser proibidas porque são uma violação da privacidade das pessoas. Atendendo a que em vários casos o seu uso provou que os agentes em questão se estavam apenas a defender, ou seja, o contrário do tal ataque racista e xenófobo que a “vítima” tinha berrado aos sete ventos, fica-me a ligeira sensação de que a razão é bem capaz de ser outra...

Temos também o chamado “direito à indignação”, isto a propósito do muito que se disse e escreveu sobre o Chega e as manifestações de polícias, nomeadamente, críticas ao seu uso para fins políticos. Serei a única a lembrar-me de protestos bem mais acesos apoiados pela nossa esquerda em diversas áreas, incluindo a polícia, alguns dos quais até descambaram em violência?

Por exemplo, lembram-se do buzinão da ponte perante uma proposta do aumento das portagens por parte do governo de Cavaco Silva? Fartámo-nos de ouvir o seu promotor dizer que não era um protesto político. Só que, assim que o governo mudou e os socialistas ficaram no poder, esse mesmo senhor recebeu um tacho político algures a sul do Tejo. Ah, e pequeno detalhe, as portagens não baixaram, mas a indignação – que lembro, não era política – morreu.

Para concluir, voltámos a ouvir falar na tragédia que é o atual estado da comunicação social, ou seja, o facto de muitos jornais e revistas estarem com graves dificuldades económicas. É claro que a culpa é das pessoas, que, segundo os “especialistas”, preferem procurar informação em locais pouco credíveis ou, até, cheios de falsidades.

Mas isso será mesmo assim? Quando vim viver para Portugal, em finais dos anos 80, dei-me ao trabalho de comprar vários jornais diários para escolher o mais informativo, para além de analisar, também, diversos semanários. Só que, ao fim de alguns anos, comecei a notar que a seriedade com que os assuntos eram tratados diminuía a olhos vistos e que havia um fortíssimo pendor esquerdista em quase tudo – já agora, se o pendor fosse ao contrário também não me agradaria, isto só para esclarecer quem já o está a pensar.

Acontece que quando leio uma notícia quero saber factos, não a interpretação de quem a escreve, são notícias e não colunas de opinião, ou antes, deviam sê-lo, ou seja, deviam ser o mais neutras possível. Junte-se a isso uma escrita pouco cuidada e um autêntico festival de erros, sobretudo se um assunto exige alguns conhecimentos da matéria e o resultado foi eu ir deixando de ler os ditos. Neste momento, tenho apenas uma assinatura do Observador e apenas porque tem três ou quatro comentadores que valem, na minha opinião, o que pago, é que os outros... enfim, lixo é dizer pouco.

Ou seja, as pessoas estão a deixar a comunicação social “oficial” apenas porque esta não cumpre a sua função – que é, muito simplesmente, informar e não indoutrinar. Mas é claro que é bem mais fácil exigir programas AI que detetem discurso de ódio online – será que o do inestimável Mamadu conta? É que como os regimes comunistas bem sabem, se os cidadãos não tiverem acesso a fontes alternativas de notícias são muito mais fáceis de controlar.

Para a semana: Clima, ambiente e não só. Da “catástrofe climática” a aldeias ecológicas e muito mais

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