Ultimamente temos ouvido falar muito dos “negacionistas”, até condenaram um juiz por o ser, bom, o pretexto foi outro mas a razão era esta.
E quem são os ditos negacionistas? Bom, de acordo com a opinião vigente nos meios de comunicação social, e não só, são pessoas incrivelmente estúpidas e ignorantes que recusam a vacina COVID e, pior ainda, negam até a existência de uma pandemia. E, escusado será dizer, são da extrema direita, fascistas, etc., enfim, os mimos habituais para quem não entra no esquema.
Mas será mesmo assim? Ou haverá outras razões que expliquem a razão de haver quem não se queira vacinar? Pois, infelizmente, até há.
As coisas começaram a correr mal ainda antes de sabermos o que estávamos a enfrentar, com a hesitação da Organização Mundial de Saúde, a famigerada OMS, a minimizar a situação por pressão da China. E quando finalmente se dignou a declarar a pandemia, já era tarde, tinha-se espalhado mundo fora.
Depois, e para piorar ainda mais a situação, houve uma politização imediata do que era dito e feito por certos líderes mundiais, sem se atender a se tinham ou não razão. Lembram-se de terem chamado xenófobo ao Trump por ter proibido voos vindos da China? E como para mostrarem que eram melhores que ele os líderes europeus não o fizeram, permitindo a livre circulação do vírus?
Mas como se isso não bastasse, a politização continuou. Estou a recordar-me do episódio da hidroxicloroquina, que a OMS, sempre ela, declarou não ter qualquer efeito positivo, chamando estúpido ao Trump e aos que diziam que ajudava (muitos deles médicos e cientistas), para uns meses depois se vir desdizer. E como a dita custava uns cêntimos e os medicamentos aconselhados eram de centenas de euros, bom, admirem-se de começarem a circular teorias da conspiração.
E seguiu-se a saga das vacinas. Muitos dos que nos EUA insultam agora quem não se vacina afirmaram a pés juntos, em público e perante o aplauso geral, que nunca meteriam no corpo uma vacina criada durante a presidência Trump. Mais ainda, ouvimos repetidas vezes dizer que era impossível desenvolver uma vacina em menos de três anos e que se surgisse uma seria altamente duvidosa. Pois é...
E eis que surge a dita vacina, ou antes, vacinas, e subitamente tornaram-se a única salvação da humanidade. Nada tenho contra essa ideia, fui até uma das que aplaudiram o seu aparecimento como feito científico notável.
O problema está no que se passou depois. Deviam ter contado a verdade, ou seja, que é uma doença nova e uma vacina novíssima, o que significa que ninguém sabe ao certo como as coisas se vão passar, sobretudo em termos de doses necessárias – é que as vacinas não nascem iguais, umas são de aplicação única, outras em várias doses, outras precisam de reforço ao fim de uns meses.
Mas não, foram-nos mentindo, supostamente para tranquilizar as populações. Começaram por falar na sua aplicação à população em risco, o que iria evitar inúmeras hospitalizações e mortes. Depois – e há sempre um depois – que assim que 70 % da população estivesse vacinada poderíamos voltar à vida normal. E depois...
Como todos sabemos, a percentagem de pessoas vacinadas é muito superior a isso, e nem estou a falar em quem já tem as duas ou até as três doses. Mas, espanto dos espantos, ouvimos agora dizer que os não vacinados constituem um enorme perigo para os vacinados – deve ser uma nova ciência de vacinação, é que até agora, atingida uma certa percentagem de vacinados tínhamos a chamada “imunidade de grupo” ou, numa tradução à letra do inglês, “imunidade de manada”, em que os vacinados impediam a propagação da doença e a criação de uma epidemia.
E como pelos vistos não aprendem com os erros cometidos, a cada dose da vacina ouvimos o já tão estafado “vacinem-se e voltaremos ao normal”. Foi na primeira dose, foi na segunda, foi na terceira (que recebeu o nome pomposo de “reforço”) e, tendo em conta o que se passa em Israel, vai ser assim na quarta dose, na quinta...
E admiram-se de que haja quem pense que tudo isto não passa de uma conspiração para dar dinheiro às farmacêuticas? Ou para tirar direitos às pessoas, coisa que já está a acontecer um pouco por todo o mundo? Vejam-se os comentários do Macron sobre os não vacinados em que sobressai a ideia de que o que o irrita não é o perigo que possam correr ou constituir para terceiros mas o facto de ousarem desafiá-lo.
A reação dos “iluminados” que nos governam – e não falo só de Portugal – e da comunicação social também não ajuda. Ouvi até um “comentador” dizer que os negacionistas são do tipo de ainda acreditarem que a terra é plana! Pois bem, quando se recorre a este tipo de argumentos, é porque não se tem razão.
E há ainda outras questões.
A taxa de mortalidade, por exemplo. Dizem-nos o número de mortos por Covid – já agora, entram para esse número quem morre infetado, independentemente da causa da morte. Mas o que não nos dizem é se houve aumento dessa taxa em relação a anos anteriores à pandemia e, nesse caso, de quanto.
Temos também as reportagens sobre os hospitais a abarrotarem de doentes infetados. O problema é que eu ainda me lembro de que nesta época do ano víamos exatamente as mesmas notícias de Urgências sobrecarregadas e doentes nos corredores devido à... gripe! Que, já agora, parece ter desaparecido...
Também não ajuda a OMS continuar a “comprar” tudo o que a China lhe diz sobre a origem do vírus. Com tantas cidades que há nesse país e com os milhões que comem (ilegalmente) animais selvagens, querem que acreditemos que o vírus passou entre espécies na única cidade onde existe um laboratório que pesquisa esta tipo de vírus? Por mera coincidência, é claro!
Pois bem, se querem que as pessoas se vacinem e aceitem de bom grado as restrições que lhes impõem, se querem acabar com os “negacionistas”, que tal tentarem dizer a verdade? É que muito francamente, pelo que tenho ouvido a especialistas sérios, dos que se por engano aparecem uma vez na TV já não voltam a ser convidados, não será a terceira dose, perdão, o reforço, que nos devolverá à normalidade. Esta não está para breve e quanto mais depressa aceitarmos isso e tomarmos medidas para que a vida continue com um mínimo de problemas, melhor será.
Mas suspeito que é um daqueles casos em que o melhor será esperarmos sentados!
Para a semana: Cidadania – sim, a verdadeira educação para a cidadania.