Neste post irei falar mais detalhadamente sobre a catástrofe de Valência, que só referi, quase de passagem, no da semana passada.
Começo por reconhecer que errei ao dizer que o Vox fazia parte do Governo da Comunidade Valenciana e agradeço imenso a quem me chamou a atenção para isso. Mesmo assim, não deixo de condenar ter organizado a “receção / protesto” contra Sánchez e os reis de Espanha, foi puro aproveitamento político de uma situação trágica. Atenção, se essas ações tivessem partido da população, tudo bem, tinham todo o direito a estar indignados.
Já agora, realço a diferença de comportamento entre Sánchez e os reis: o político profissional fugiu logo a sete pés, escoltado pela polícia que não mandara para a zona, os reis, esses, enfrentaram a situação de frente.
Antes de passar ao clima, farei um pequeno resumo do que se passou, ou antes, dos inúmeros erros cometidos, tendo em conta que, se fosse cá, há fortes probabilidades de se passar o mesmo – ou pior.
O tal fenómeno, DANA, não surgiu de repente, houve inúmeros avisos sobre a fortíssima probabilidade de acontecer, avisos esses que não foram passados, devidamente, à população que, essa sim, foi apanhada de surpresa.
Mas o pior em termos de ação, ou antes, de inação, veio depois. Com casas soterradas na lama, familiares, amigos e vizinhos desaparecidos, a população ficou por conta própria nas suas tentativas de tentar salvá-los. Valeu-lhes a boa vontade de pessoas de povoações vizinhas que imediatamente acorrerem, por conta própria, para ajudarem no que pudessem.
E, pasme-se, os governos em causa (central e da região), não só nada fizeram durante dias como, até, tentaram pôr todo o tipo de obstáculos à ida de voluntários para as regiões afetadas. Sabemos, até, que inúmeros militares e polícias foram ajudar, à paisana e quando não estavam de serviço, após terem-lhes sido recusados os pedidos para o fazerem oficialmente. Mais ainda, pelos vistos o governo recusou, até, a ajuda de outros países – o que explica o atraso com que a ajuda portuguesa seguiu para lá.
Francamente, tudo isto é lastimável. E se as regras da autonomia impediam o governo central de agir antes de receber um pedido oficial de ajuda daquela região, bom, é mais do que altura de as alterar, tal como os EUA fizeram após o Katrina – sim, agora o governo federal desse país já pode enviar ajuda sem ter de ficar à espera de pedidos locais.
E porque não surgiu esse pedido? Bom, segundo parece, o “grande” líder regional, Mazón, estava num almoço privado de várias horas e com o telemóvel desligado e, aparentemente, ninguém se lembrou de o avisar... Como desculpa, talvez valha para as primeiras horas, mas recordemos que o exército só foi enviado sete dias depois! É claro que há que ter em conta que os dois governos têm cores políticas diferentes...
Mas passemos à “explicação” das causas da tragédia. Como não podia deixar de ser... são as alterações climáticas! Só que toda aquela região sofre cheias catastróficas há pelo menos 800 anos e, segundo parece, as tais alterações são um fenómeno recente, totalmente devido à ganância dos brancos.
Só que... as coisas não são bem assim. Todas as regiões afetadas têm algo em comum, o Barranco del Poyo, identificado há muito como suscetível de causar todo o tipo de cheias e catástrofes deste tipo, ou seja, o chamado “desastre anunciado”. De tal modo que existe desde 2007 um plano concreto para lhe fazer frente, nomeadamente com a construção de pequenas represas de contenção do excesso de água e, também, o reflorestamento da zona para impedir a erosão do solo.
Já agora, todas estas obras custariam à volta de 150 milhões de euros, uma ninharia comparado com o que se vai gastar agora, isto para não falar na tremenda perda de vidas humanas. E o seu único problema foi nunca passarem do papel.
Mas há mais. Para satisfazer o Pacto Verde europeu, o governo espanhol mandou destruir barragens, açudes e represas para “libertar” os rios. Proibiu, também, a limpeza dos rios e das suas margens, porque isso era “interferir com a natureza”. E o desastre só não foi maior porque o rio Turia, que atravessava o centro de Valência, foi desviado, há uns anos, da cidade através de um canal, poupando, assim, esta cidade ao seu enorme aumento de caudal devido à chuva intensa.
Já agora, esta obra foi muito combatida pelos “suspeitos do costume”, só que, felizmente, sem êxito, ao contrário de outras propostas de transbordo de águas entre rios precisamente para minorar problemas de secas e de cheias. Soa-vos familiar?
É claro que, perante a enorme quantidade de água que caiu os rios encheriam, mas a presença das tais represas previstas no plano de 2007 teriam retido uma boa parte dela, evitando as enxurradas de água e lama que se abateram em zonas onde até não choveu.
Mas é o que dá preferir os fanáticos do clima a cientistas e técnicos. Já agora, será que os “meninos” que andam por aí a atirar tinta e a cortar o trânsito “em nome do clima” partiram para ajudar estas vítimas?
O que me custa mais em tudo isto é que me fica a ideia de que nada vai mudar, os políticos continuarão a pôr os seus tachos acima do bem-estar de quem os sustenta e entre entenderem-se para ajudar ou manterem quezílias de sacristia – como vimos em Espanha, entre PSOE e PP – a escolha nunca recairá no entendimento.
E se fosse em Portugal, seria diferente? Hum, não me parece. As cheias em Lisboa duram há anos, houve imensas propostas para as resolver e, quando se começou, finalmente, a fazer algo choveram as críticas porque a Câmara é da “cor errada”. Mais ainda, as atuais cheias no Algarve mostram que, também ali, há problemas de escoamento nas suas cidades e aposto que há planos para os minorar ou resolver.
E não só. Há zonas do nosso país que alternam entre seca e cheias, sem que nada se faça para combater essa situação – pois, as tais represas e transbordos tão odiados pela nossa esquerda e pelos climáticos, curiosamente os mesmos que nada têm a dizer sobre a grande barragem da China que, segundo a NASA, atrasou a rotação da Terra em 0,066 milissegundos devido à sua enorme dimensão!
Para a semana: Eleições americanas. Jornalistas, comentadores, "espanto"...