Estamos naquela época do ano em que se houve muito dizer “Só queria paz no mundo”. Um desejo muito meritório, sem dúvida, que, infelizmente, se mantém nas nossas listas ano após ano. Só que... O que fazemos, exatamente, para obter essa tal paz mundial? E aqui “nós” é toda a gente, das pessoas comuns, digamos, a políticos, jornalistas, etc. Bom, nada. Ou antes, vendo bem as coisas, tudo fazemos, por palavras e atos, para piorar as várias situações que ocorrem mundo fora.
Vamos a alguns exemplos, a começar pelo mais recente.
Os Houthis passaram os últimos anos a cometer atos de pirataria contra navios de inúmeros países, nomeadamente americanos e europeus – sem contar que internamente também são muito boa gente... E o que temos feito para os parar? Aumento da vigilância marítima e conversa fiada. Pequeno detalhe, se os barcos envolvidos na tal vigilância forem portugueses, bom, os ditos piratas podem estar descansados, serão mandados em paz mesmo que sejam apanhados em flagrante porque o nosso Código Penal não inclui o crime de pirataria!
Resultado? O que eram inicialmente ações esporádicas foram aumentando de frequência e de violência, usando como pretexto as ações de Israel em Gaza, pretexto esse aceite pelos usuais Donos da Verdade. Só que agora houve ação a sério, por parte de Israel, que lhes destruiu basicamente a economia. E sem resgates e venda de petróleo, boa sorte arranjarem quem lhes fie armas. É claro que este ato foi fortemente criticado pelos “suspeitos do costume” como sendo uma ação provocatória e sem razão de ser, esquecendo, muito convenientemente, os 200 mísseis com que os ditos atacaram Israel.
Ou seja, pelos vistos a ideia é combater os Houthis com palavras...
Passemos à Ucrânia. O Trump está a ser muito criticado por dizer que quer acabar com essa guerra. Confesso que isso me deixa confusa, será que os que o criticam desejam a continuação das hostilidades por tempo indeterminado? É claro que respondem logo que não, só são contra porque ele vai entregar a Ucrânia ao Putin – o que não deixa de ser curioso, relembro aqui que com Obama, o dito invadiu a Crimeia, com o Trump, esteve quieto como um rato e com o Biden, invadiu a Ucrânia.
A grande questão é que, mais uma vez, as coisas só chegaram a este ponto porque o Ocidente não se soube impor. Mesmo após o início da “operação especial”, a única atitude foi oferecer asilo político ao Zelensky. E só começámos a enviar apoios quando se tornou vergonhoso ficarmos de braços cruzados enquanto os ucranianos lutavam.
E, mesmo assim, tem havido a máxima preocupação para não ofender os russos. Lembra a alguém fornecer armas e impor restrições sobre o seu uso? Ou seja, a Rússia pode atacar onde bem lhe apetece, mas a Ucrânia só se pode defender no seu território? É isso zelar pela paz?
Já agora, atendendo a que a Embaixada de Portugal sofreu danos no último ataque a Kiev e que uma embaixada é território do país que representa, neste caso um membro da NATO, isto não significa que o Putin atacou esta organização? Só estou a perguntar...
Olhando à nossa volta, é sempre a mesma coisa. Quando acontece algo que põe em causa a paz mundial – ou, pelo menos, de uma parte do mundo – torcemos as mãos, choramingamos e... nada fazemos.
Deixámos instalarem-se em todo o norte de África regimes islâmicos, pior ainda, apoiámo-los, até, porque “lutavam contra ditadores”. E agora que só não vê quem não quer que são bem piores do que os regimes que substituíram, bom, encolhemos os ombros e nada fazemos. Ou antes, acolhemos, sem investigar, todos os que se lembram de nos bater à porta supostamente por estarem a ser perseguidos e deixamo-los à solta para indoutrinarem a população local.
Num post futuro falarei da inenarrável ONU, outra “defensora da paz” que só abre a boca para criticar certos países, deixando os outros cometerem as maiores atrocidades em paz e sossego. Isto quando não apoia abertamente um dos lados, numa clara violação do seu estatuto. Infelizmente, não é a única organização a fazê-lo, os exemplos são demasiado numerosos para os citar aqui.
Já o disse anteriormente, mas vale a pena repeti-lo aqui. Nunca gostei do De Gaulle, mas ele teve, certamente razão quando disse, e parafraseio, “Os pacifistas provocam mais guerras que os belicistas”.
É que a atitude vigente parece ser evitar fazer ondas para não provocar o outro lado, seja um país, um grupo armado, terroristas, enfim, tudo. A ideia subjacente parece ser que se formos boas pessoas e muito compreensivos, cedendo tudo e mais alguma coisa para manter a paz, esta será o resultado. Pois, resultou em cheio com Chamberlain e o Hitler!
Infelizmente, o único modo de manter a paz é batendo o pé e mostrando uma atitude de força, a chamada paz armada. É que a tática atual não leva à resolução de conflitos mas sim à sua exacerbação. Por muito boas que sejam as nossas intenções, o que conta é o modo como são vistas pelo outro lado. E a atitude constante de apaziguamento é considerada, pura e simplesmente, um sinal de fraqueza. Lembrem-se dos bullies, só atacam quem veem como sendo mais fracos do que eles.
Enfim, enquanto a nossa atitude não mudar e não traçarmos linhas vermelhas para as diversas situações que vão surgindo, mantendo-as com firmeza e garantindo que a sua violação terá consequências, bom, suspeito que a tal paz no mundo, tão badalada nesta época do ano, continuará a ser um dos muitos mitos que rodeiam o Natal.
E esta atitude estende-se, também, à paz interna, veja-a a indignação da nossa esquerda perante a ação policial no Martim Moniz. Ou seja, querem segurança – paz no país – mas só se isso não provocar ondas nem ofender ninguém. Quer dizer, ninguém dos “grupos protegidos”, se forem polícias ou brancos...
Para terminar, desejo Bom Natal a todos. Sim, Natal, não Festas Felizes, não pratico o cristianismo mas acho absurdo não se poder dizer isto porque “pode ofender”. Haja paciência!
Para a semana: Seria tão bom 2... À semelhança do que fiz o ano passado, a minha listinha de desejos (impossíveis) para 2025