Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

17 - Cidadania

Sim, a verdadeira educação para a cidadania

Tem-se andado a falar muito deste tema, a propósito dos dois alunos, brilhantes e cumpridores, que estão em risco de chumbarem porque o pai não quer que frequentem as aulas de Educação para a Cidadania por conterem matéria que ele acha que lhe compete a ele ensinar aos filhos. Refiro-me, claro, à parte de Educação Sexual, com a ênfase dada à homossexualidade, transexualidade e similares.

Tive curiosidade em ver os vários currículos e propostas de currículos desta cadeira e fiquei um tanto confusa. É que pelo que vi, o dito currículo é apenas indicativo e compete ao professor decidir do que vai falar e, sobretudo, como o vai fazer. Sim, currículos, porque não há manuais como nas outras cadeiras, ou seja, o que é realmente ensinado fica totalmente ao critério do professor, sem que os pais saibam sequer o que os filhos irão ouvir nas ditas aulas.

Mais ainda, o dito currículo inclui, no meio de assuntos realmente importantes, outros que não passam de uma tentativa nem sequer muito disfarçada de endoutrinar as novas gerações em teorias de esquerda.

Por exemplo, a Educação para o Desenvolvimento que visa, e cito, “a consciencialização e a compreensão das causas dos problemas do desenvolvimento e das desigualdades a nível local e mundial, num contexto de interdependência e globalização”. Não é preciso ser adivinho para ver que isto se presta a propaganda a favor da “bondade” do comunismo e em diatribes contra o “malvado” capitalismo.

Ou a Educação para a Saúde e a Sexualidade, a componente da polémica. É que, na ausência de manuais a que os pais possam ter acesso, este tema presta-se a todo o tipo de extremismos. Sei que ainda não chegámos lá, mas com o péssimo hábito que temos de importar o que de pior se faz nos EUA, em breve chegará o dia em que rapazes heterossexuais tenham de pedir desculpa aos colegas por o serem! Sim, já acontece em várias escolas americanas e até em idades bastante jovens.

Ou a Educação para a Igualdade de Género que, e cito, “visa a promoção da igualdade de direitos e deveres das alunas e dos alunos, através de uma educação livre de preconceitos e de estereótipos de género”. Curiosamente, os defensores de que as crianças transexuais sabem que o são desde muito novas usam como um critério importante para essa teoria o tipo de brincadeiras de que a criancinha gosta. Se é menina e gosta de coisas mecânicas e de ciência, então é porque é simplesmente um rapaz num corpo de rapariga. E um rapaz que goste de bonecas, bom, já se sabe que é de facto rapariga. Nada mau, como luta contra “estereótipos de género”.

Voltando ao dito currículo, este é bem extenso (para quem tenha curiosidade, aqui fica o link da página da Direção-geral da Educação que o contém: https://www.dge.mec.pt/educacao-para-cidadania-linhas-orientadoras-0). E eu não acredito que os professores consigam tocar em todos os seus temas. Vai acontecer o mesmo que em Físico-química, em que se um professor é da área da física passa a maior parte do ano com ela, não tendo depois tempo para se estender muito na parte da química e um professor da área da química faz o oposto.

Mais ainda, duvido seriamente que um professor tenha conhecimentos para poder falar de todos os assuntos ali citados. Ou, pelo menos, de o fazer de modo abalizado e capaz de esclarecer devidamente quem o ouve. É que como as coisas estão agora, tem de cobrir áreas que vão da Educação Financeira à Saúde e Sexualidade, passando pela Educação para os Media, Educação Ambiental, Educação para a Segurança Nacional (em que, estranhamente, se fala do património cultural), Educação Rodoviária e muito mais!

Também isto se presta a que o professor escolha os temas em que está mais à vontade ou que lhe agradam mais, ficando depois “sem tempo” para falar dos restantes.

Em vez de prejudicar bons alunos, não seria bem mais útil se a DGE repensasse todo este tema e criasse diretrizes claras sobre o que é ou não ensinado? Mais ainda, em vez de deixar tudo a cargo do mesmo professor, que tal haver professores “nómadas” que iriam de escola em escola a dar a parte que são competentes para ensinar?

E quanto ao tema da Saúde e Sexualidade, que tal deixarem os detalhes para uma série de aulas facultativas, mediante autorização dos pais, e falando apenas de assuntos mais generalizados e menos polémicos?

É que francamente, concordo inteiramente com aquele pai, a educação sexual das crianças compete aos pais, a menos que estes decidam passar essa tarefa a outros. E quem nos diz que o professor que calhou aos nossos filhos o pode fazer de um modo claro, sem a distorção das suas crenças que podem estar totalmente em colisão com os nossos princípios?

E não, não se trata de homofobia e quejandos. Não nos esquecemos de que as crianças se desenvolvem a ritmos diferentes e na mesma turma pode haver alunos para quem o que for dito já é sobejamente conhecido e outros que ainda não têm o menor interesse pelo assunto. E, francamente, forçá-los a ouvir falar de sexo sem que estejam preparados para tal raia a violência. Sem contar que muitas crianças têm vergonha de fazer à frente dos colegas perguntas sobre essa área e acabam por sair dessas aulas com as mesmas dúvidas com que entraram.

Resumindo, o que esta cadeira precisa é da tão apregoada transparência e, acima de tudo, respeito pelos cidadãos e pela sua sensibilidade religiosa e moral. Basicamente, o mesmo respeito que já se dá a certos setores da nossa sociedade: ouvi há uns tempos uma professora da escola islâmica de Lisboa dizer que alterava o currículo (e não estava a falar de Cidadania mas sim de História) para não ferir as suscetibilidades dos alunos daquele estabelecimento muçulmano!

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