Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

172 - Falemos do Trump

Como não sou menos que os outros, decidi também opiuar sobre a tomada de posse do Trump e, acima de tudo, das reações que provocou.

Não tinha a menor intenção de falar da tomada de posse do Trump, mas, perante o que tenho visto e lido neste quatro dias não resisto a também eu deitar a minha acha para a fogueira.

Basicamente, tem sido um festival de “Trump Derangement Syndrome” (TDS daqui em diante), uma expressão criada pelo próprio penso que em 2018 e que expressa bem a obsessão de comentadores, jornalistas, políticos e não só com tudo o que o Trump diz e faz, mas sempre para criticar, claro. Bom, localmente temos algo um niquinho similar em relação ao Chega...

Nos dias que antecederam o 20 de janeiro as televisões encheram-se de “especialistas” que competiam pelo prémio de cenário mais negro. Desde a morte da democracia à catástrofe económica, houve de tudo. Até ouvi uma senhora dizer que o plano do Trump era ficar com a América, entregar a Europa à Rússia e todos os países do Pacífico à China!

Mas vamos ao dia em si. Devido às baixas temperaturas que se faziam sentir em Washington, a cerimónia decorreu dentro do Capitólio, algo que não acontecia desde 1985 aquando do segundo mandato de Reagan. É claro que vieram logo alguns “jornalistas” dizer que há vários anos não estavam presentes tão poucas pessoas para assistirem à cerimónia!

Há um ponto a destacar, todos os ex-presidentes ainda vivos e vice-presidentes estiveram presentes, parece que perceberam que se amuassem só iriam prejudicar o futuro dos respetivos partidos – e lembro que há eleições para o Senado e Câmara dos Representantes a cada dois anos. E um outro, este pela negativa, os risinhos dessa senhora Clinton, que provam bem a sua falta de respeito pelo cargo a que concorreu – e perdeu.

Da cerimónia na Arena One tenho dois destaques.

O primeiro tem a ver com a chamada ao palco de familiares dos reféns israelitas, num recado bem claro ao Hamas e seus aliados. O segundo é, claro, o já muito visto gesto do Musk, logo interpretado como uma saudação nazi. É preciso ter um caso gravíssimo de TDS para ver naquele “do meu coração para o vosso” algo repelente. E pelos vistos ignoram que tanto a Clinton como a Kamala fizeram o mesmo em várias alturas.

Passemos agora ao que Trump disse e fez, começando pelos perdões. Achei curiosa a confusão que reinou na comunicação social – e não só – entre perdão e comutação de pena. É que o grande problema daqueles 1500 que receberam o dito perdão é que estavam no limbo há quatro anos, tinham sido acusados mas não julgados – ou seja, ao contrário do que correu por aí, Trump não perdoou 1500 condenados, mas sim meramente acusados. E lembro que ao contrário do que se passa no nosso país, esperar tanto tempo por um julgamento é raro.

Já agora, quando dizem que houve vários mortos nos “motins” do Capitólio, a sua distribuição é a seguinte: 1 homem que sofreu um ataque cardíaco ainda antes de tudo começar; 1 mulher desarmada morta pelas costas e à queima-roupa por um dos guardas; uma morte por overdose (!); mais duas mortes por causas naturais, incluindo um polícia que sofreu um ataque cardíaco um dia depois...

Curiosamente, pouco ou nada se comenta sobre os “perdões preventivos” distribuídos em massa pelo “bom” do Biden, algo totalmente inédito por parte de um presidente cessante! E incluiu os dois irmãos, a irmã e os respetivos cônjuges – francamente, juntando a isto os quadros de centenas de milhares de dólares vendidos pelo filhinho a milionários chineses e outros e que nunca ninguém viu, eu, pelo menos, fico a pensar em que andaria metida aquela família.

Vamos, então, aos anúncios que Trump fez e que tanta tinta e voz têm feito correr. A fronteira sul, por exemplo, com o fim da entrada de pessoas que tinham arranjado um agendamento com a Imigração, outra das benesses do anterior presidente. É que bastava ter conseguido, via telemóvel, obter esse agendamento, sem data específica, para se poder entrar e ficar “à solta” nos EUA. A ideia é que quando recebessem uma mensagem a indicar que se deviam apresentar e onde, todos o fariam... pois! Acontecia tanto que agendavam mais de cem mil pessoas por dia!

Temos, também, as tarifas para produtos importados. Da China, por exemplo. Ou do México. Dois exemplos de locais que não respeitam as leis laborais e para onde as empresas americanas se mudam para poderem lucrar mais quando exportam os seus produtos para o país de onde saíram. No caso da China, há ainda a agravante de ser um país que põe todo o tipo de entraves à entrada de produtos americanos ou europeus, mas que berra e barafusta se não a deixam enviar livremente o que produz, muitas vezes fruto do trabalho de presos ou de internados em campos de concentração como os Uigurs.

Ou seja, em vez de criticarmos, devíamos adotar a mesma política: se querem que importemos, têm de permitir que exportemos com as mesmas regras.

E há, também, a NATO. Pois, a situação atual agrada sobremaneira aos seus membros europeus: baldam-se nas suas responsabilidades, mas exigem ser defendidos. Pior ainda, dão-se ao luxo de criticar os EUA e o seu militarismo, mas quando as coisas correm mal...

Finalmente, e muito brevemente, o início do fim do wokismo – só há dois sexos e é a competência que deve imperar – e o Acordo de Paris. Quanto ao primeiro, já era altura de haver um pouco de bom senso. É que, pasme-se, até as Forças Armadas eram forçadas a incluir elementos dos mil e um “géneros”, mesmo que fosse perfeitas nulidades em termos militares. E o Acordo de Paris, bom, desafio-vos a lerem-no. Basicamente, cada país define a sua meta, que pode ou não cumprir. Mas indica a criação de “milhentas” comissões, gabinetes de estudo, etc., daí o pânico com a saída dos EUA – sim, quem é que vai agora sustentar essa gentinha toda?

Não resisto a uma última nota, a saída da Organização Mundial de Saúde, um organismo que durante a crise COVID mostrou bem o seu enfeudamento à China. E isso cria-me a esperança de que outras agências da ONU (ver Para que serve a ONU) ou a própria ONU sigam o mesmo caminho.

Já agora, li esta semana estes dois artigos que achei interessantes: O significado de Trump, de Rui Ramos, e A Esquerda Possessa com a Possante Posse de Trump, de Tiago Dores.

Para a semana: A economia precisa de emigrantes. Uma das frases mais ouvidas para justificar a política de portas abertas dos últimos anos

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