A moda de politizar o que não devia ser politizado não começou em Portugal, mas foi sendo mais ou menos descaradamente adotada por cá nos últimos anos por pessoas que, pelas funções que exercem, deviam ter mais respeito pelos cidadãos que os sustentam. Mas ultimamente, talvez devido a um certo desespero da esquerda ao ver fugir-lhe o título de Dona da Verdade, tem alastrado de forma alarmante.
A segurança, por exemplo. Ouvimos recentemente um responsável dessa área dizer publicamente que, ao contrário do que a direita apregoa, e de acordo com os dados da Polícia, a criminalidade geral há 10 anos que não estava tão baixa. Hum...
Vamos ao grande problema com esta afirmação, “de acordo com os dados da Polícia”. Será que não ocorreu a essa sumidade que estes dados se baseiam, única e exclusivamente, nas queixas apresentadas? É claro que para quem vive na nuvem cor-de-rosa da esquerda bem pensante, qualquer cidadão vítima de um crime, por muito leve que seja, vai a correr queixar-se à esquadra mais próxima. E se fosse assim, esses dados refletiriam, de facto, a verdade.
Só que... Quem vive no mundo real sabe muito bem que só há dois tipos de circunstâncias em que se apresenta queixa: quando é precisa para resolver certos assuntos, como seguros e recuperação de documentos e cartões bancários; ou quando o crime “deu nas vistas” e levou à intervenção da dita polícia. Nos outros casos nem vale a pena, não por desconfiança das forças policiais mas porque já todos conhecem a “bondade” e morosidade do que passa por justiça neste país e os muitos juízes beneméritos prontos a dar uma oportunidade aos criminosos. E isto sem contar que, se os alegados criminosos forem de uma “espécie protegida”, a vítima vê-se nas bocas do mundo e não é levada muito a sério – veja-se o caso das jovens estrangeiras recentemente violadas em Lisboa.
Mais ainda, e como muitos sabem que é verdade, por experiência própria, não faltam casos em que é a própria polícia que tenta dissuadir a vítima de apresentar queixa porque sabem bem que não terá qualquer resultado.
Perante isto, acham mesmo que a ideia de insegurança crescente é apenas “uma perceção”? Bom, não tenho a menor dúvida de que o que é uma perceção é a ideia de um país / cidade seguros por parte de quem vive em bairros de luxo e só se desloca em viatura privada...
Na mesma onda, temos a afirmação de que, também ao contrário do que diz a tal direita, a maioria dos presos em Portugal são portugueses. E até são bem capazes de o serem. Só que... Sabiam que qualquer estrangeiro que resida legalmente no país há 5 anos pode requerer a nacionalidade? Isto para além do casamento... É claro que a lei diz que não pode ter cadastro e deve ter conhecimentos razoáveis de português.
Bom, lembro que o cadastro tem a ver apenas com penas a que a pessoa foi, de facto, condenada. E com a maravilha que é o cruzamento de dados no nosso país, o dito candidato a português tem tempo de cometer uma série de crimes e, se não tiver sido julgado e condenado... não tem cadastro. E o conhecimento da língua também funciona lindamente. Um senhor do Bangladesh, naturalizado português em 2022 – ou seja, está em Portugal no mínimo há 8 anos – está a ser julgado por ter dado a sua morada como sendo a de mais de 1000 conterrâneos da sua nacionalidade de origem. Pois bem, apesar da exigência de saber a língua para poder ser português... está a usar um intérprete.
Mas pior ainda do que tudo isto é a profunda hipocrisia que reina por aí, entre os nossos políticos e não só.
Por exemplo, foram divulgados recentemente dados referentes a casos de mutilação genital feminina detetados – e lembro que, a menos que a vítima se queixe, só se dará conta deles se houver uma ida a um ginecologista ou similar, ou seja, os números dados são, literalmente, a ponta do icebergue. Apesar da pouca divulgação da notícia, fiquei à espera – confortavelmente sentada, claro, sei bem do que a casa gasta – que o partido da Lei do Piropo berrasse e exigisse medidas drásticas, por exemplo, exame obrigatório de todas as raparigas das etnias que praticam esse “costume”. Mas... nada.
Pequeno detalhe, Portugal tomou, de facto, medidas contra esta prática nefanda: declarou-a “crime autónomo” e criou este mês uma Pós-graduação em Mutilação Genital Feminina – as raparigas e mulheres abrangidas que vivam em Portugal já podem dormir descansadas!
Para terminar, falemos do que se tem passado recentemente com deputados do Chega, nacionais ou não, e do modo como o PS reagiu. Vi um senhor deste partido a gozar com o Ventura na Assembleia da República por o Chega se dizer o partido da lei e justiça. A sério? Um PS cheio de pessoas acusadas ou sob suspeita de roubos vultuosos que nos lesam a todos acha que tem o direito de gozar com um Arruda e as suas malas? Já agora, que tipo de segurança têm os nossos aeroportos para que um caso deste se arrastasse tanto tempo “sob investigação”? E não teria sido mais útil impedir que a situação se repetisse em vez de tentar encontrar um culpado?
Há, ainda, o deputado apanhado com álcool a mais – outro fartote de críticas. Só que não causou nenhum acidente, ao contrário daquele outro senhor que desapareceu do local onde a sua viatura oficial tinha colhido e morto um homem... E nem falo da pedofilia, sempre achei curioso terem achado as vítimas da Casa Pia credíveis... exceto quando falaram em membros de um certo partido.
Enfim, sei perfeitamente que não há pessoas totalmente isentas, mas quem tem certos cargos e ocupações – políticos, jornalistas, influenciadores no sentido clássico do termo – devia, no mínimo, fazer um pequeno esforço para não ser totalmente “enviesado”.
Para a semana: Mulheres, mais uma vez. Do atual "feminismo" às muitas hipocrisias e a um novo movimento que está a surgir