Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

179 - Politiquices e politiqueiros

Cá dentro e lá fora, infelizmente não temos este exclusivo

Quando optei por este tema para esta semana sabia que havia um fortíssima probabilidade de acertar em cheio, ou seja, de termos uns dias repletos da politiquice mais refinada. Mas, como boa otimista nata que sou, ainda tinha uma réstia de esperança de que os que nos (des)governem provassem ser políticos e não politiqueiros e pensassem no interesse deste país e dos portugueses que não é, certamente, servido com mais uma e cara eleição numa altura em que se passam tantas coisas importantes mundo fora e em que a Europa tenta unir-se a sério.

Refiro-me, claro está, à famigerada moção de confiança que todos sabiam que estava à partida condenada ao fracasso. E, ao contrário do que aconteceu anteriormente com uma moção de censura a derrubar um governo, em 1987, permitindo que Cavaco Silva tivesse a seguir uma maioria absoluta, desta vez o derrube veio por parte de quem estava no poder.

Repito, se Montenegro fosse um político e não um politiqueiro, nunca teria tido este comportamento, que tresanda a “fuga para a frente” na esperança de que os portugueses o premeiem com uma maioria na Assembleia da República. E não me digam que não tinha outra opção, lembro que as duas moções de censura ao seu governo tinham sido chumbadas, ou seja, não precisava de uma demonstração de confiança.

Já agora, um pequeno detalhe. Tenho pouco ou nenhum respeito por “políticos de profissão”, sabem os que passaram da Juventude do respetivo partido para cargos eleitos – ou nomeados. Mesmo assim, há um abismo entre o que penso deles e a minha opinião sobre politiqueiros, mesmo que estes tenham tido outras profissões antes de se virarem para a política. E, infelizmente, estes são cada vez mais numerosos, tratando a sua alçada de influência, seja nacional ou local, como uma mera coutada ao serviço dos seus interesses e espezinhando tudo e todos, mesmo os do seu próprio partido.

Curiosamente, ou talvez não, a nossa comunicação social e também os muitos comentadores adoram-nos. Pode-se, até, dizer, que um político sério será sempre preterido por eles, pior ainda, maltratado de todos os modos. E se não acreditam, pensem na nossa história política recente, tanto em termos de Primeiros-ministros como de Presidentes e vejam quem foram os favoritos e quem foram os desprezados.

Mas, como me relembraram esta semana, a culpa é, em grande parte, dos portugueses, que continuam a votar sempre nos mesmos, indo atrás de promessas que sabem, perfeitamente, serem apenas isso: politiquices engendradas apenas para ganhar eleições. Não que haja muita escolha, mesmo nas Autárquicas há “independentes” que todos sabem estar enfeudados a um partido e que se preocupam mais em agradar a este do que em melhorar a vida de quem os elegeu – e os sustenta.

Muito francamente, a única maneira de reduzir o número de politiqueiros é os eleitores agirem, não com manifestações e similares, outra politiquice muito popular, mas promovendo para cargos locais a candidatura de pessoas que sabem que são competentes e que não estão interessadas numa carreira política. É que se os partidos, sobretudo os grandes, perderem muitas das Câmaras e Juntas de Freguesia, talvez comecem a levar a política mais a sério, reduzindo, pelo menos um pouco, a politiquice reinante.

Se calhar é por isso que o Almirante está à frente nas sondagens para a Presidência da República, algo que intriga muita gente porque, como ainda ouvi hoje, “não se sabe nada dele” e nunca diz nada. Bom, há uma coisa que todos sabemos, não está filiado em nenhum partido nem tem demonstrado simpatia por nenhum deles. E ao fim de décadas a ouvirmos dizer “serei o Presidente de todos os portugueses”, com os resultados que todos conhecemos, talvez aqui a ideia seja, precisamente, apostar em alguém que não tem demonstrado queda para a politiquice. Quanto a não falar, depois do exemplar recente...

Infelizmente, Portugal não tem o exclusivo de politiqueiros e politiquices nem isto se restringe à esfera política, muitos jornalistas e comentadores caem, e de que maneira, sob a sua alçada, como disse acima.

Penso não ter sido só eu a achar ridícula a recente atuação do nosso Costinha e da senhora Van der Leyden em relação à guerra na Ucrânia. Quem ouça as suas declarações pomposas, só pode concluir que a União Europeia é uma grande potência mundial, sobretudo em termos militares, e que o mundo treme perante a hipótese de lhe desagradar. Gostei, sobretudo, de terem dito que já tinham concluído um plano de paz! Evidentemente, perante este anúncio, Zelensky e Putin não têm outra hipótese que não seja assinarem de cruz.

Aliás, a politiquice está cada vez mais na moda, sobretudo numa versão moderna. É que agora já não se resume a factos, ao que é feito ou dito. Não, o que está a dar para comentadores e quejandos é afirmarem que A, B ou C pensa isto ou vai fazer aquilo e partir daí para os seus “doutos” comentários como se essas coisas tivessem sido realmente ditas ou feitas.

O azar é quando tratam alguém como politiqueiro e, afinal, os factos provam o contrário. Já repararam que depois da enxurrada de especulações sobre a Meloni durante a campanha eleitoral e nos seus primeiros dias de governo, esta desapareceu totalmente do mapa? Mais ainda, de fascista, o miminho usual, chamam-lhe agora “conservadora de direita”. Pois, é que segundo parece tem feito um belíssimo papel como Primeira-ministra...

Enfim, é melhor habituarmo-nos, suspeito que a politiquice não veio apenas para ficar, está, também, cada vez mais “viçosa”.

Para a semana: O que é importante... Um post mais “levezinho” sobre a ênfase que damos a certas coisas em menosprezo de outras.

0