Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

180 - Falemos de catástrofes

A propósito da recente tempestade que assolou o país e não só

Face ao sucedido nos últimos dias, decidi adiar o tema que tinha anunciado para esta semana e falar um pouco de catástrofes, ou antes, do que podemos fazer, sobretudo a nível pessoal e familiar.

Ao contrário de outras catástrofes, como um sismo, por exemplo, esta foi, de certo modo, anunciada. Ou seja, as pessoas foram avisadas para não saírem, a menos que fosse absolutamente necessário e, mais importante ainda, os serviços de emergência estavam em alerta máximo. É claro que agora, no rescaldo, acha-se sempre que se pode fazer mais, mas não nos devemos esquecer de que houve problemas em muitas zonas e que é preciso estabelecer prioridades. Mais ainda, há alguns problemas que não são de rápida solução, por muito boa vontade que haja.

Mas vamos ao tema deste post. É óbvio que não podemos impedir que uma tempestade fortíssima se abata sobre a região onde vivemos ou que esta seja abalada por um sismo ou fique na mira de um violento incêndio ou de cheias, como aconteceu recentemente em Espanha. Mas podemos, isso sim, tomar algumas medidas para minorar os seus resultados catastróficos a nível pessoal.

Não me refiro a coisas como seguros – sim, são importantes, mas varia caso a caso o que pode ser recuperado – nem a precauções básicas como verificar se não há árvores em mau estado na sua vizinhança, por exemplo. Não, o que vou referir é um pouco mais básico, mais pessoal, mas, infelizmente, muitas vezes descurado.

Como devem saber se veem filmes e séries americanas, há muitas zonas desse país em que as pessoas têm em casa o chamado kit de sismos – já agora, se visitar o Quake, em Lisboa, a loja tem alguns kits básicos. Não me parece que sejam necessários no nosso país, mas seria útil fazermos o nosso próprio kit, adaptado às nossas necessidades pessoais, para o caso de termos de abandonar à pressa o nosso lar. Pequeno detalhe, não me refiro a uma enorme sacola, basta uma pequena bolsa ou mochila à medida do que lhe meter, o importante é que esteja junto à porta principal para ser fácil pegar-lhe ao sair.

Como disse, é pessoal, mas há elementos que considero indispensáveis a todas as pessoas e situações:

- Uma cópia de todos os documentos de identificação dos membros do seu agregado familiar – pode ser em formato digital, numa pen, por exemplo.

- Se tem de tomar periodicamente medicamentos, tente ter no kit as doses de que precisa para uma semana – isso dar-lhe-á tempo de arranjar novos caso não possa voltar a casa.

- Se tem crianças ou idosos a seu cargo, será boa ideia incluir alguns petiscos, de preferência de longa duração e alimentícios.

- É, também, boa ideia, incluir uma garrafa de água, ou algumas mais pequenas.

- Se tem bebés, meta algumas fraldas e comida para uma ou duas vezes.

- Tente arranjar um carregador extra para pelo menos um dos telemóveis da família e / ou um chamado powerbank com o respetivo cabo, de preferência carregado – ou seja, vá-o verificando, periodicamente.

- Um pequeno kit de primeiros socorros. Nada de especial, mas se tiver um pequeno corte ou algo similar, não precisa de esperar pelos serviços de emergência que poderão estar sobrecarregados. Inclua também uma embalagem de comprimidos para febres / dores.

- Uma lanterna e respetivas pilhas.

- Caso tenha espaço, tente incluir uma mantinha ou similar, se for no inverno e não tiver tempo de se agasalhar antes de sair sempre terá algo um pouco mais quente à mão caso tenha de esperar por um abrigo. As chamadas mantas espaciais são levíssimas e ocupam pouquíssimo espaço embaladas.

- Um bom isqueiro, dos que acendem mesmo com vento, nunca se sabe se não precisará de fazer uma fogueira para se aquecer enquanto espera por ajuda.

- Algum dinheiro para as primeiras necessidades, se houver um corte de energia prolongado não poderá ter-lhe acesso.

É claro que o conteúdo fica ao critério de cada um, mas tente não criar um “caixote”, a ideia é ser algo leve e que seja fácil de agarrar e levar mesmo numa situação de pânico.

Uma coisa que se houve muito quando uma habitação é destruída é, “perdi tudo o que tinha”. E quem o diz não se refere apenas a bens puramente materiais e que podem ser substituídos, como móveis, roupas, etc. Há outros bens que, apesar de terem apenas valor para a pessoa em questão, são bem mais valiosos porque são insubstituíveis. Refiro-me, claro está, a fotos, vídeos e similares.

Sim, bem sei que hoje em dia quase toda a gente tem todas as fotos no seu telemóvel, possivelmente com uma cópia na nuvem. Mas talvez fosse boa ideia ir passando periodicamente algumas – ou todas, se o pretender – para um suporte digital a incluir no tal kit de emergências. E se tem fotografias familiares antigas, ainda em papel, pense em digitalizá-las. Assim, haja o que houver, terá sempre uma cópia disponível.

Passemos, agora, à parte da sociedade. Sei bem que quando alguma coisa acontece a nossa primeira tendência é recorrer às chamadas autoridades para resolverem o assunto. Só que, quando há uma catástrofe, as ditas ficam assoberbadas e se responderem por ordem de chegada dos pedidos poderão falhar situações gravíssimas.

Sendo assim, não seria boa ideia informar-se sobre o que pode fazer em determinadas situações? Sugiro, até, tentar conhecer os seus vizinhos, não só de casa mas também do bairro, para, caso algo aconteça, tentarem, em conjunto, responder de imediato a problemas menos graves, deixando, assim, mais livres os serviços de emergência.

Lembre-se, também, de que apesar de ser muito humano querer saber de amigos e familiares, tente reduzir essas suas chamadas ao mínimo indispensável para evitar sobrecarregar as redes. O ideal, no caso de familiares e amigos chegados, seria, até, criar a tal “árvore de chamadas” que tenho mencionado, em que A liga a B e este a C e assim por diante até que o último da cadeia contacta A como sinal de que está tudo bem com todos.

Para a semana: O que é importante... Um post mais “levezinho” sobre a ênfase que damos a certas coisas em menosprezo de outras.

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