Mais um adiamento do tema anunciado, mas não podia deixar passar em branco este acontecimento que marcou o início desta semana e que se tem prestado a tantos comentários, críticas e ataques políticos, ou não estivéssemos em campanha eleitoral.
Mas pouco falarei disso, concentrar-me-ei, isso sim, no que podemos fazer para nos precavermos caso volte a acontecer algo que nos deixe sem os “luxos” a que a vida moderna nos habituou. Recordo, também, que já tratei de certo modo deste tema em Falemos de catástrofes aquando da tempestade Martinho. Mas há aspetos que a falta de energia durante horas a nível do país inteiro fez sobressair e de que não falei na altura ou fi-lo, apenas, pela rama.
Primeiro, uma breve referência ao acontecimento em si. Sim, há bastantes fragilidades na interconexão da nossa rede à de Espanha e na desta à de França, mas, pelo que tenho lido, a retirada da chamada inércia das redes foi feita para satisfazer os proponentes da histeria da “catástrofe climática”.
Quanto a explicações, a única que falta é a razão dos célebres 15 Gigawatts terem desaparecido repentinamente e, aqui para nós, suspeito que teremos de esperar bastante para o sabermos, se é que chegue, até, a acontecer. Lembro, também, que isso se deu em França e que, dependendo do que encontrarem, poderá não ser boa ideia gritar a resposta aos sete ventos, sobretudo se tiver sido um ciberataque.
Finalmente, sei que pareceu ter demorado imenso tempo a repor a normalidade mas, se lerem sobre o que se tem passado em situações similares noutros países, até foi bastante rápido. Por exemplo, nos últimos anos tem havido apagões na zona central dos EUA em pleno inverno que chegam a durar uma semana no caso de vilas e povoações mais pequenas.
Passemos agora a algumas indicações sobre como nos precavermos. É que ficou bem claro que continuamos a ser um povo grande adepto do velho ditado, “casa roubada, trancas à porta.” E fica-me a ideia de que, passado o susto inicial, muitos irão reverter para os seus velhos hábitos.
Comecemos pela iluminação. Houve, pelo que li, uma corrida a velas e a pilhas e lanternas. Agora, que o pior já passou, que tal ir, com calma e ponderação, procurar o melhor sistema – para si – de iluminação alternativa? Não sou contra o uso de velas, mas sejamos sinceros, pouca iluminação dão e um descuido pode ser perigoso, devem, pois, existir apenas como último recurso.
Mas há agora inúmeras lanternas – se é que lhe podemos até chamar isso – LED, a pilhas ou de carregamento USB, com uma luz fortíssima e que, em certos modelos, até podem ser penduradas. É claro que, como segunda parte desta precaução, convém ter sempre em casa pilhas da variedade certa e, no caso das de carregamento USB, verificar, periodicamente, se estão carregadas. Vi, até, recentemente, anúncios a lanternas de carregamento solar!
Temos, depois, a água. Sei que faltou em certas zonas do país, não em todas, felizmente, o que levou a nova corrida às poucas lojas abertas. A questão é que há cortes de água por diversas razões, de acidentes, digamos, a trabalhos de substituição e manutenção, que chegam a durar um dia inteiro. Convém, pois, tomar algumas precauções.
A primeira é, claro, ter um ou dois garrafões de água em casa – ou mais, depende do tamanho da sua família. A segunda é ter garrafões ou outros recipientes fechados com água para usar nas sanitas e para usos similares, mais uma vez a quantidade depende do agregado familiar. E se tenciona usá-la para cozinhar, não se esqueça de a renovar periodicamente.
Temos, depois, as refeições. Para quem tem gás em casa, esse não foi um problema. Mas há zonas do país, o Porto, por exemplo, onde é tudo elétrico em casa. O que aqui aconselho é válido para todos, mas sobretudo para quem tem bebés ou crianças pequenas em casa – é que os adultos aguentam bem com umas sandes ou algo similar não cozinhado. Já agora, apesar de menos comuns do que os da água, também há, de vez em quando, cortes de gás.
A solução? Um fogão de campismo! Sim, um daqueles pequeninos com uma botija também pequena. São bastante baratos – por cerca de 20 euros pode ter fogão e botija da marca de campismo mais famosa – e dão perfeitamente para aquecer água para biberões ou papas ou, claro, para cozinhar.
Passemos aos telemóveis. Para além das redes terem ido abaixo, muitos tiveram problemas por a bateria se ter esgotado. Pois bem, um ou mais power banks resolvem esse problema. Mas, atenção, só se estiverem carregados... Ou seja, vá-os verificando. E, para o caso das comunicações “normais” falharem, invista – são baratíssimos – num rádio a pilhas para se manter informado do que se passa. Mas adquira-o agora, com calma, não espere que haja uma crise para ir a correr tentar comprar um. Pequeno detalhe, tenho visto anúncios de sistemas de comunicações que funcionam durante emergências – mas atenção, pelo que tenho lido o seu uso pode não ser legal na Europa, informe-se, pois, antes de adquirir um.
Houve, também, problemas com carros que ficaram sem gasolina devido aos tremendos engarrafamentos. Contra mim falo, mas não é boa ideia andar com o depósito quase vazio. Não digo que se torne um maníaco do tanque cheio, mas é bom ter sempre o suficiente para o percurso que vai fazer, mais uma boa reserva para o caso de encontrar problemas de trânsito ou a bomba com que estava a contar estar fechada.
Finalmente, dinheiro. Houve pânico por não se ter acesso às ATM e haver necessidade de pagar coisas – pilhas, por exemplo – a dinheiro. Que tal ter sempre consigo uma pequena reserva de 20, 50 euros, mas não na carteira, ponha-os noutro lado para evitar a tentação de os gastar numa situação normal. E seria também boa ideia ter uma pequena reserva em casa para os mesmos fins. É claro que se começar a criá-la já, pode ir pondo de parte uma pequeníssima quantia diária até ter um valor razoável que dê para uns dias. E se não precisar dela... bom, sempre é uma poupança.
Acima de tudo, tente manter a calma, é que, muito francamente, irritar-se e vociferar contra tudo e todos não irá fazer o problema resolver-se mais depressa, sendo assim, não acha que mais vale não se enervar?
Para a semana: Falemos de novo da mulher À luz de acontecimentos recentes, é altura de voltar a este tema