Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

224 - Casos diversos dos últimos dias

Eleições, calamidades e outras

Decidi alterar o tema anunciado, apesar de alguns do casos de que irei falar poderem entrar na classificação de absurdos.

Comecemos pelo resultado das eleições presidenciais. Fartei-me de ouvir que Seguro – o Santinho – foi o mais votado de sempre numas eleições desse tipo. E até é verdade, mas...

Recordemos que esta é apenas a segunda vez em que se torna necessária uma segunda volta. E da primeira vez em que tal aconteceu, o célebre confronto Mário Soares / Freitas do Amaral, os apoios estavam divididos de um modo muito mais equitativo: PS e CDU de um lado, PSD e CDS do outro. Mais ainda, na altura tanto o PCP (o tal que nunca concorria em nome próprio) e o CDS eram partidos com uma boa percentagem do eleitorado.

Desta vez, nada disso aconteceu, tivemos de um lado apoios que iam da extrema-esquerda aos anteriores fascistas – lembro que Paulo Portas foi muitas vezes apelidado desse modo – e do outro... o papão. Mais ainda, o partido que o apoia tem apenas 7 anos de existência, não sendo, pois, um dos dinossauros que se lhe opunham.

E não sei se repararam, mas os votos em branco triplicaram em relação à primeira volta. Não são muitos, cerca de 180 mil eleitores, mas pensemos que são pessoas que saíram de casa com mau tempo e tudo para mostrarem o seu enorme desagrado pela “qualidade” dos candidatos.

O mais giro, bom, pelo menos para mim, é que me ficou a sensação de que jornalistas e comentadores ficaram bem mais entusiasmados com este resultado do que os políticos. Será que estes perceberam, finalmente, os problemas que o novo dono de Belém lhes irá trazer?

É claro que tivemos a continuada “análise” dos eleitores, sempre para dizerem que os inteligentes, os jovens e as mulheres não votam no “mau”... Juro que adorava saber como fazem essas distinções, é que, com base nos resultados, o país está a estupidificar-se a uma velocidade galopante.

E por falar em eleitores, segundo li houve muitos emigrantes portugueses que, apesar de terem feito uma longa deslocação, não puderam votar porque o respetivo Consulado estava fechado. Juntando-se a isso a obrigatoriedade do voto presencial, fica-me a sensação de que não se quer que votem...

Passemos agora ao longuíssimo comboio de calamidades que assolou o país de Norte a Sul, não tendo escapado nenhuma área, apesar de nem todas serem afetadas com o mesmo grau de gravidade (felizmente!).

Já falei disto anteriormente, nomeadamente do enorme atraso com que o Governo reagiu – embora ache que o PS faria bem melhor em estar calado, nos seus – muitos – anos de governação a resposta que deu a várias catástrofes deixou mesmo muito a desejar.

Mas em vez de apontar o dedo, talvez fosse melhor começar, isso sim, a ver o que correu mal, não, repito, para atribuir culpas mas sim para ver o que se pode mudar e melhorar para menorizar os efeitos caso volte a acontecer.

As comunicações, por exemplo. Ficou bem clara a necessidade de haver telefones por satélite em determinados locais – bombeiros, Câmaras, Juntas de Freguesia, por exemplo – para garantir que pelo menos quem vai em socorro das populações possa comunicar entre si. Já agora, o comentário do Senhor de Belém sobre os operadores foi, para além de desnecessário, totalmente descabido.

Segundo, planear a construção de albufeiras de emergência, digamos, para onde parte do caudal dos grandes rios seja desviado caso haja o risco de uma cheia. Segundo li, a situação em Coimbra podia ter sido bem melhor se tivesse sido construída a barragem que o Senhor Concordia recusou.

Estudar, também, a construção de novos diques nas margens de rios mais suscetíveis a inundarem. Sim, sei que parte dos do Mondego ruíram, mas já há, certamente, modos de construção mais fiáveis. É claro que uma parte dos problemas de povoações alagadas veio de haver construção na chamada “planície de inundação” do respetivo rio. Mas como seria incomportável deslocar todos essas habitações e empresas, estudemos, isso sim, modos de minorar os efeitos de um rio com caudal excessivo.

Apesar de tudo tivemos sorte, parou de chover na altura “certa” para a barragem da Aguieira – um pouco mais de água e poderia ter cedido, com consequências terríveis.

Talvez fosse, também, boa ideia agilizar a intervenção das Forças Armadas em situação de catástrofe. Segundo li, estavam a postos desde a primeira hora, só que, infelizmente, nada podia fazer por não terem recebido ordens nesse sentido. E como, teoricamente, pelo menos, o Residente de Belém é o Comandante em Chefe das Forças Armadas, talvez seja boa ideia o Santinho ter isso em mente quando tomar posse.

E para o caso de voltar a haver uma destruição parcial da rede de alta tensão, estudar, a curto prazo, alternativas que se possam aplicar de imediato – muito francamente, as pessoas andarem desesperadas à procura de geradores não é, certamente, ideal. Quanto a passarmos a ter essa rede enterrada, bom, nunca seria uma solução rápida. Para além dos custos, haveria, certamente, muitas queixas, providências cautelares e similares para impedir a existência desses cabos no subsolo.

Mesmo assim, houve boas atuações no terreno por parte de presidentes de Juntas de Freguesia e de Câmaras, que se preocuparam mais em agir do que em fazer política e discursos. Isto só reforça a minha ideia de que Portugal não precisa de uma regionalização mas sim de uma descentralização a sério.

Quanto à demissão da Ministra.., bom, muito francamente pareceu-se ter sido a solução “fácil”. Ou seja, como temos visto Governo atrás de Governo, seja ele PS ou PSD, quando as coisas correm mal o responsável por essa pasta demite-se ou é demitido e fica tudo na mesma.

Finalmente, não deixa de ser curioso o comentário do Senhor de Belém sobre as seguradoras. É que muito que demorem, suspeito que os afetados verão bem mais depressa esses pagamentos do que os do Estado... E já agora, nas muitas zonas sem luz, como é que as pessoas se inscrevem no tal Portal rápido a pedir ajuda?

Para a semana: Censura, mais uma vez A propósito da proibição de redes sociais até uma certa idade "para bem das criancinhas".

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