Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

227 - A propósito do Irão

Face aos eventos desta semana, decidi falar desta guerra, da ONU e tudo isso.

Começou esta semana o mais do que anunciado ataque ao Irão, que só apanhou de surpresa quem anda muito distraído ou não acredita no que o Trump diz e rediz. E, claro, as televisões, as nossas e as de fora, encheram-se de especialistas e comentadores de todas as formas e feitios. Bom, desde que o pendor fosse, nem que ligeiramente, para a crítica.

O que eu acho mais giro em todos eles é o facto de saberem, sem margem de dúvida, o que Trump e Netanyahu pensam e, claro, tudo o que se tem passado e irá passar no decorrer desta operação. Sem esquecer os curdos e o exército do Irão (não confundir com os criminosos da Guarda Revolucionária. Mais o povo que, segundo eles, é contra este ataque, isto apesar de todas as mensagens que têm passado cá para fora.

Ora vamos por partes. Tivemos, claro, as “santa almas” do costume muito indignadas pelo ataque a um país que estava sossegadinho e não incomodava ninguém – pelos vistos, matar mais de 60 000 pessoas em três semanas e andar há anos a apoiar tudo quanto é movimento terrorista não conta.

Ouvimos, também, a pergunta sonsinha, “Mas porque é que o Irão não pode ter armas nucleares se outros as têm?” Pois, um país que incita à morte dos “infiéis” – sim, somos nós, incluindo os das manifestações em defesa da “Palestina” e do Irão – e que acha que quem morre ao fazê-lo é um mártir e vai direitinho para o céu, realmente é mesmo boa ideia ter uma bomba nuclear!

É claro que os “peritos” usuais não se cansam de dizer que os EUA e Israel foram apanhados de surpresa pela reação iraniana, que vai correr mal, que é um novo atoleiro, enfim, os usuais arautos da desgraça. E embandeiram em arco com as notícias da destruição de bases americanas em vários países. Fica a sensação de que só não apoiam abertamente o Irão porque a sua “coragem” – leia-se, o seu descaramento – não chega a tanto.

E por falar nisso, serei só eu a achar curioso que, com tanta destruição das ditas bases, não haja mortos nem feridos? Serão bases a sério?

O que me traz à Base das Lajes e a toda a polémica com o seu uso por aviões de abastecimento. Pelos vistos, os fofinhos acham que os americanos a querem apenas como estância de férias ou escala de aviões de passageiros – não da CIA, claro! E elogiam a “coragem” do Sánchez em recusar o uso das bases partilhadas em Espanha – será interessante ver como irá reagir quando os EUA as largarem de vez e ficar a Espanha com todo o seu encargo financeiro...

Sem contar que todos acham absolutamente natural que o dito Irão esteja a lançar mísseis contra uma série de países, incluindo Chipre, supostamente contra bases militares americanas ali presentes. E por falar em mísseis, ouvi muito o comentário, “dizem que foram intercetados, mas ouviram-se explosões”. A sério? Acham que o Super-homem estende um braço e para os ditos? Como explicou um dos dois generais que gosto de ouvir, é claro que há uma explosão, menor e no ar! E muitos estragos devem-se à queda dos detritos e não ao impacto de um míssil, tal como acontece com as antiaéreas.

Curioso, também, não ter ouvido muitas análises ao impacto que esta guerra está a ter na Rússia. Lembro que o Irão era o seu grande fornecedor de drones e suspeito que tudo isso parou, precisam deles todos para uso próprio. Sim, podem começar eles a fabricá-los, mas se andavam a importá-los de outros países, alguma razão há de haver.

Mas para mim o momento máximo de tudo isto foi da autoria do fofinho-mor, o muito douto senhor Guterres. Segundo ele, está mais do que na altura de parar os ataques americanos e israelitas e negociar. A sério? Com um país que anda há anos a aldrabar a Agência Nuclear dessa mesma ONU? E adivinhem quem se oferece como mediador...

Mas que outra coisa seria de esperar de quem felicita os governantes iranianos pelo aniversário da revolução precisamente quando esse governo exercia represálias bárbaras sobre o seu próprio povo.

Já agora, para o pessoal cá da terra que se gaba da sua tremenda coragem ao tomar certas atitudes, aqui fica a perguntinha: se fossem tratados como os manifestantes o são no Irão, iriam para a rua protestar? Pois, suspeito que não, atendendo aos choradinhos que estamos sempre a ouvir, tipo, “um polícia empurrou-me”.

Passemos agora ao preço dos combustíveis. Começo por dizer que nunca hei de entender porque é que o preço do petróleo sobe de imediato perante uma situação destas. Não é exatamente como ir comprar o pãozinho diário à loja da esquina, o que é vendido hoje só será usado daqui a semanas ou meses. Parece-me, isso sim, um pretexto para ganhar mais, subindo, “com uma boa razão”, um preço que anda demasiado baixo para os produtores.

Sendo assim, ainda entendo menos o impacto imediato no preço dos nossos combustíveis, já de si mais do que onerosos devido aos impostos que o nosso (des)governo – este e todos os anteriores – mete ao bolso. Desta vez, num ato de “grande generosidade”, decidiram fazer um pequeno desconto se o aumento fosse superior a um dado valor que, para já, não foi totalmente atingido. Seria bom que alguém publicasse quantos milhões a mais vão ser arrecadados por causa desta guerra, pagos, claro está, pelo pagode do costume.

Resumindo, todos querem – ou dizem querer – mudanças de regimes, mas de mansinho, sem fazer ondas e só se os visados aceitarem fazê-lo. Ou seja, a ideia é que o governo do Irão acordaria um belo dia e diria, “Ei, não andamos a tratar bem as mulheres, está na altura de mudar isso!”

Para a semana: Novo Presidente e não só A tomada de posse de Seguro e outros assuntos atuais

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