Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

228 - Novo presidente e não só

A tomada de posse de Seguro e outros assuntos atuais

Bom, saiu finalmente o “senhor de Belém” que, mantendo-se fiel ao seu estilo, viajou, falou e tirou selfies até ao último momento. Espantosamente, pelo menos para mim, surgiu uma sondagem que diz que a maioria dos portugueses lhe dá uma nota positiva pelo modo como cumpriu os seus dois mandatos!

Mas passemos ao senhor que se segue. Muito francamente, não deposito grandes esperanças no nosso novo PR. Não quero agourar, mas sempre que disse, referindo-me aos presidentes da AR, que pior seria impossível... não o foi. E é muito bonito o Brandinho dizer que não leva ninguém do PS para Belém para não mostrar parcialidade, mas não é preciso estar rodeado dos seus para o fazer.

Primeiro, uma diferença positiva em relação ao antecessor: a caminho da tomada de posse, em pleno hemiciclo, parou para cumprimentar Ventura que, por muito que custe a muita gente, é o líder da oposição. Ou seja, não lhe fez a má cara usual, tratou-o como alguém que tem o voto de muitos portugueses.

Segunda nota positiva, as flores na AR. Não sei de quem foi a escolha, mas usaram rosas – ou seja, evitaram os cravos, aposto que com grande raiva de muitos esquerdistas ali presentes.

Como primeira nota negativa, a importância que deu ao Presidente de Angola, tanto antes da cerimónia como depois. Sim, sei que os dois países têm, diz-se, uma relação privilegiada, mas atendendo aos muitos insultos que esse senhor tem proferido nos últimos tempos contra Portugal e os portugueses, seria bem melhor ter começado o mandato demonstrando-lhe que atos têm consequências. E se vier com a ameaça dos portugueses que trabalham em Angola, é altura de lhe lembrar os muitos mais angolanos que aqui residem, infelizmente para nós nem todos eles a trabalharem.

Pequeno detalhe, não acham estranha a ausência de entusiasmo popular nesta tomada de posse do “presidente mais votado de sempre”? Sim, era uma segunda-feira, mas andam todos tão ocupados que não deu para uma manifestãozinha junto à AR?

Mas a grande nota negativa já à partida está na decisão do Brandinho de continuar a viver nas Caldas da Rainha para estar junto da família. Ou seja, a quase 100 km de Lisboa! E quem é que vai pagar a ida diária da escolta policial até à sua residência mais as deslocações também diárias do dito senhor? Vai-lhe sair do bolso? Ou melhor ainda, do da esposa, uma vez que é esta que não se quer mudar? Pois, aqui fica uma sugestão: arranjam casa em Lisboa e a dita senhora desloca-se, por conta própria, às Caldas para gerir os seus negócios.

E não vou falar do muito badalado vestido nem do preço dele, isso não me preocupa, quem tem dinheiro que o gaste. Mas as deslocações entre as Caldas e Lisboa serão pagas pelos portugueses, ou antes, pelos que pagam impostos. Seria interessante algum jornalista a sério fazer as contas a quanto é que isso nos vai custar mensalmente e, pior ainda, anualmente.

Finalmente, li hoje um artigo a falar do modo como o novo dono de Belém “comunica” com o povo português. Segundo parece, é grande adepto das redes sociais – pelo menos três delas – que usa diariamente para dizer o que faz e traçar algumas considerações.

Pelos exemplos dados no artigo (do Observador) e que cobrem todos os dias desde a tomada de posse, ao Presidente das Selfies vai seguir-se o Presidente das Frases Feitas. É tudo muito fofinho, palavreado sonante mas ideias... zero. É claro que ninguém acredita que seja o próprio a escrever e a publicar esses textos, mas quem o faz fá-lo, certamente, com o seu consentimento, pelo menos tácito. E as muitas vezes que menciona as “alterações climáticas” não auguram nada de bom em termos de uma Presidência neutra e eficaz – lembremos a sua proximidade ao Concordia, o grande “woke” do nosso país e agora, infelizmente, da Europa.

Como nota positiva, diz apenas “portugueses” e não os famigerados “portugueses e portuguesas” tão do agrado do seu partido. Já agora, porque será que a nossa querida esquerda ainda não se revoltou contra o uso do masculino antes do feminino?

Mas como o título do post indica, não irei só falar de Belém.

Mudando, pois, de assunto, choca-me terrivelmente ver que a recente tragédia que se abateu sobre o nosso país está a ser usada como arma de arremesso político. Refiro-me, claro está, às quezílias entre certos Presidentes de Câmaras e membros do Governo e chefias miliares, nomeadamente o da Câmara de Leiria (PS, sim, neste caso é importante dizê-lo).

Não sei quem tem razão, duvido, até, que esta esteja totalmente de um dos lados, seja ele qual for. Mas acho que dá uma ideia péssima às pessoas da zona afetada verem todas estas acusações públicas sobre quem devia fazer o quê e quem não fez o quê. Aposto que o que queriam era mais ação e menos palavras e uma luta destas em nada contribui para a resolução rápida dos seus muitos e graves problemas – ou para melhorar a ideia que temos dos políticos.

E por falar em Câmaras, não é curioso ver aquela senhora Leitão a bramar que Moedas nada faz por Lisboa, que as obras estão atrasadas e outros miminhos similares? Será que se esqueceu de que o PS governou a capital durante 26 dos últimos 31 anos? E o que fez durante esse tempo todo?

Mas não admira, segue o exemplo do “destemido” líder do seu partido, que toma a mesma atitude em relação ao atual Governo – atenção, acho que este não anda nada bem e que Montenegro está a perder uma oportunidade de ouro para reformar a sério o país. Mas... onde estiveram as ideias e soluções socialistas durante os 18 anos (nos 25 mais recentes) em que governou o país, alguns deles até com maioria absoluta?

Ora aqui está um estudo curioso a ser elaborado, a razão porque os partidos, em particular o PS, só têm soluções para os problemas do país quando estão na oposição, seja a nível nacional ou local.

Para a semana: Proporcionalidade, equidade. Termos muito queridos dos "bem-pensantes", mas significarão mesmo o que eles dizem?

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