Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

23 - Os "ambientalistas"

Sim, com aspas...

Começo por dizer que acho muitíssimo bem que se cuide do ambiente, em todas as suas vertentes. Mas há um pequeno detalhe que cria um verdadeiro abismo entre mim e os chamados movimentos ambientalistas e que é o facto de eu fazer questão de me informar devidamente sobre um assunto antes de desatar a criar pânicos totalmente infundados ou a ter ataques de histeria.

E se acha que os ditos movimentos e associações fazem o mesmo, bom, talvez alguns exemplos ajudem a, no mínimo, criar a dúvida.

O primeiro já tem uns anos, apesar de ter descoberto recentemente, e com grande espanto meu, que ainda anda nos tribunais. Refiro-me à coincineração na fábrica de cimento de Souselas.

Para quem não se lembra do caso, tudo começou com a necessidade cada vez mais premente de eliminar resíduos perigosos. Um dos processos usados para esse fim é precisamente a coincineração, em que esses lixos são queimados como combustível, em conjunto com outros produtos. É usado em vários países, nomeadamente países nórdicos, com a vantagem da eliminação dos ditos resíduos levar também a uma redução da quantidade de combustíveis gastos na produção e de as cinzas poderem ser aproveitadas.

Surgiu a reação, como sempre, com vários argumentos que iam sendo rebatidos, incluindo, até, uma visita a uma unidade, penso que Noruega, onde se realizava com êxito esse processo. Mas as grandes reações vieram quando os nossos ambientalistas “descobriram” as dioxinas.

Vamos aos factos, a coincineração produz realmente dioxinas e estas são perigosas para a saúde. O detalhe que foi sempre excluído das discussões e das muitas manifestações é que todas as queimas as produzem. Ou seja, se tem uma bonita e romântica lareira a lenha, ei, está a produzir dioxinas! Um churrasco também a lenha? Dioxinas!

E esta produção, digamos, doméstica é bem pior porque é feita em geral num espaço pequeno e fechado e sem qualquer tipo de controlo. Mais ainda, a sua quantidade varia com o tipo de lenha – já agora, a de macieira é das que mais dioxinas produz – e com o tipo de contaminação da madeira.

Mas tudo bem, não resultam de coincineração, por isso não fazem mal...

O segundo exemplo tem a ver com as energias renováveis. De acordo com esses movimentos e associações, temos de transitar a alta velocidade para um mundo onde só elas são admitidas. A minha primeira objeção é, claro, que a menos que a população mundial diminua drasticamente e voltemos a um modo de vida bastante primitivo, isto nunca será suficiente.

Mas presumamos que há uma evolução no modo de produção e que passam a bastar às nossas necessidades. Entra aí o meu grande motivo de confusão. É que as ditas energias renováveis são a hídrica, a eólica e a solar. Bom, com três, há muito por onde escolher... ou não.

É que os mesmíssimos movimentos que as exigem são contra a construção de qualquer tipo de barragens porque incomodam a fauna local, destroem uns arbustos, causam isto ou aquilo. São também contra as torres eólicas porque são feias e descaracterizam o ambiente, produzem ruído (obviamente nunca estiveram perto de uma) e matam as avezinhas. E são contra a solar porque os painéis são feios e descaracterizam a paisagem e a sua instalação pode incomodar a fauna local, sobretudo as aves.

Sendo assim, o que resta?

Passamos agora à reciclagem e reaproveitamento. Estou totalmente do lado dos que dizem que se deve reciclar e reaproveitar ao máximo. Mas também aqui entra a tal dualidade que me deixa perplexa.

Por exemplo, papel e cartão reciclado não podem ser usados em embalagens alimentares. Porquê? Será que quem exigiu esta regra tem a mínima noção do processo de reciclagem destes materiais? É que papel e cartão recolhidos são convertidos em pasta de papel a temperaturas elevadíssimas. Ou seja, entre o reciclado e o não reciclado, a diferença está na origem do material usado para o fabrico de pasta de papel. E para quem é tão contra os eucaliptos, não seria lógico apoiarem o uso de material reciclado em tudo?

Temos também a água que sai do último tanque de uma ETAR e que não pode ser usada nem para regar um campo de golfe. Pergunto, mais uma vez, porquê? E a resposta é sempre a mesma, a origem dessa água. Ou seja, as análises feitas e que provam que é água de ótima qualidade não contam para nada. Já agora, será que sabem que para todos os efeitos os rios de onde tiramos a água que acabamos por beber têm peixes e outros animaizinhos? Pensarão que há uns quartinhos de banho no leito desses rios...

E passamos ao último exemplo, agora muito na moda, o abacateiro no Algarve que, ainda ontem ouvi uma “especialista” afirmar, é a cultura que mais água consome. Pena que não seja verdade.

Na realidade, um valor médio de consumo ronda os 5600 metros cúbicos por hectare e por ano. É muito, mas temos 7500 para amendoeiras, 6400 para citrinos e 5500 para figueiras, por exemplo. E os produtores estão sempre a tentar arranjar novos modos de reduzir esse consumo – é que a água custa dinheiro e quem quer ter lucro tem de cortar nos custos. Já agora, uma plantação a sério – não umas arvorezinhas no quintal – tem rega gota a gota e sensores de humidade do solo, precisamente para reduzir ao máximo esse consumo.

É claro que a grande acusação é não ser uma árvore “nativa”. A sério? Ora vejamos alguns exemplos de outras árvores e plantas não nativas mas essas sim muito aplaudidas pelos ambientalistas:

- Alfarrobeira, oliveira e vinha, trazidas pelos fenícios no século XII a.C.

- Loureiro, amoreira, amendoeira e figueira, trazidas pelos gregos.

- Ameixieira, cerejeira, pessegueiro, damasqueiro e ginjeira, trazidas pelos romanos.

E muitas mais.

Pois, ainda bem que esses povos não tinham “ambientalistas”!

 

Para a semana: Problemas e não soluções – é a grande especialidade atual e nisso, somos peritos.

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