Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

229 - Absurdos diversos

Mais alguns casos interessantes do nosso país e da nossa sociedade

Decidi, mais uma vez, alterar o tema proposto para esta semana, estes últimos dias têm sido férteis em peripécias variadas e, sendo assim, não resisti a falar de algumas delas.

Comecemos pelo Tribunal Constitucional e a correspondente indignação desses “bons democratas”, os senhores do PS. Fartaram-se de esbracejar perante a hipótese de os três substitutos a nomear serem negociados entre PSD e Chega, com 2 para o primeiro e 1 para o segundo. É que, de acordo com o seu bem-pensante líder, há um acordo entre PSD e PS para dividirem entre si os 10 juízes eleitos pela Assembleia da República, havendo, pois, sempre 5 de cada um desses partidos.

Ou seja, temos aqui a admissão pública de que os mais altos cargos do nosso país são geridos em regime de panelinha. Sendo assim, o grande “argumento” do PS é que, por razões históricas (!) as coisas deviam ficar na mesma. Pior ainda, ouvimos o Ferrozinho, o tal do “estou a c******* (não costumo usar palavrões, nota minha) para o segredo de justiça”, o das ligações a muitos do processo Casa Pia, a dizer ser inconcebível haver ali um juiz nomeado pelo Chega. Ou seja, não importam as qualificações dos nomeados, a sua adequação ao cargo e a sua isenção, só conta a cor partidária de quem os quer ali.

Pois, parece que a mensagem de que o PS já não é o segundo partido mais votado nas Eleições Legislativas ainda não chegou às cúpulas do partido que se arvora como o grande defensor da democracia. Querem continuar a dividir os tachos como sempre fizeram? A solução é simples, melhorem a vossa votação nas próximas eleições.

Continuando na Assembleia da República, falemos agora da proibição da mudança de sexo a menores. É claro que os movimentos do alfabeto e todos os “esclarecidos” dentro e fora do hemiciclo berram que é um retrocesso, que os suicídios entre jovens vão disparar, enfim, um alarido tremendo onde se exibem estatísticas e “estudos” feitos por medida e se ignora tudo o que seja contra as suas opiniões – por exemplo, porque é que não falam nos casos cada vez mais numerosos de adultos que se arrependem profundamente de terem embarcado nessa mudança de sexo em jovens?

O mais curioso nisto tudo é a falta de coerência. Menores de 18 anos não podem fazer tatuagens porque estas são irreversíveis e considera-se que não têm maturidade suficiente para tomarem uma decisão que os irá afetar durante toda a vida. Mas se for para mudarem de sexo, então já podem decidir? E lembro que esta alteração é bem mais permanente do que uma tatuagem, é verdadeiramente irreversível.

É claro que temos, como sempre, especialistas a bramar contra a proposta de lei da direita – só o facto de lhe chamarem isto já diz tudo. Só que ainda não ouvi uma boa razão, nem sequer uma medíocre, que explique porque são contra a obrigatoriedade de uma opinião médica. Mais ainda, pergunto-me quantos dos jovens que se entusiasmam com a ideia dessa mudança sabem, de facto, que não pode ser revertida e que, pior ainda, ficarão estéreis.

Francamente, acho este um assunto demasiado sério para ser decidido por um jovem, sobretudo sem a obrigatoriedade de demonstrar que conhece exatamente as consequências dessa sua decisão.

Já agora, continuando a falar de coerência, não se pode beber nem fumar abaixo dos 18 anos, não se pode conduzir nem votar, mas para dizer que querem mudar de sexo, tudo bem, decidam à vontade e sozinhos!

Passemos à imigração ilegal. O nosso querido PM anunciou o que classificou como medidas rígidas para a combater e agilizar a expulsão dos ilegais, pondo termo à saída voluntária – pergunto-me quantos o fizeram durante os anos em que esta medida vigorou. Pois é, devemos ter definições diferentes de rigidez e agilização, não considero estender a prisão por um ano – com cama, comida e roupa lavada paga pelos pategos do costume agilizar...

Mesmo assim, não faltaram as críticas a esta “crueldade”. Hoje ouvi até um senhor comentador dizer que a economia portuguesa em geral e inúmeras empresas em particular irão à falência caso esta medida seja adotada! A ser verdade, como diria o saudoso ex-senhor de Belém, algo está muito errado no nosso país onde mais de 300 mil famílias recebem o RSI anos a fio sem darem o menor sinal de que se querem reintegrar – ou até, integrarem-se pela primeira vez – na sociedade onde vivem.

Já agora, quando aparecem aqueles dados sobre a Segurança Social e o aumento do contributo dos imigrantes – deduz-se que os legais, claro – o que eu gostaria de ver era uma listagem por nacionalidades. É que “imigrantes” engloba tudo, chineses, franceses, alemães, enfim, todos os que não são portugueses. E ela deve existir uma vez que nos dizem em quanto aumentaram os contributos dos brasileiros – falarei mais desta questão noutro post.

Tivemos, também, o anúncio por parte da Presidência da República de que, a partir de agora, as reuniões com os líderes partidários serão no modelo um a um, ou seja, não podem levar ninguém com eles.

Supostamente, esta medida destina-se a impedir fugas de informação. Mas... será mesmo assim? Mais ainda, porque é que o conteúdo dessas reuniões tem de ficar no segredo dos deuses? Onde está a tal transparência que muitos apregoam, sobretudo quando estão na oposição?

Pior ainda, a partir de agora o Brandinho poderá dizer o que quiser sobre o que se passou numa determinada reunião e ninguém o poderá desmentir. Sim, bem sei, o contrário também é verdade, mas suspeito que isso não o preocupa muito... Sem contar que poderá “cozinhar” o que quiser com certos líderes partidários sem que haja qualquer hipótese de o virmos a saber.

Não digo que essas discussões sejam abertas ao público em geral, acho apenas que devia haver testemunhas, digamos, de ambos os lados. E quanto à fuga de informações, bom, não me admirará nada se continuar a acontecer, é que muitas vez dá mesmo muito jeito...

Para a semana: Proporcionalidade, equidade. Termos muito queridos dos "bem-pensantes", mas significarão mesmo o que eles dizem?

0