Bom, mais uma alteração de tema e precisamente pelas mesmas razões, uma semana fértil em incidentes de todos os tipos.
Comecemos pela Câmara de Albufeira e a “queixinha” de uma criatura do PSD alegando discurso racista e incitação ao ódio. Estavam em causa afirmações do Presidente dessa Câmara – que, mero detalhe, é do Chega – de que enquanto houvesse albufeirenses a precisar não faria casas para ciganos. Sem esquecer a reação totalmente despropositada do Ministério Público – fariam o mesmo se o autarca em questão fosse PS?
Ora diz a dita senhora que, meramente por acaso, é do PSD, o partido ali derrotado nas últimas autárquicas, diz, repito, que voltaria a fazer a mesma queixa porque não pactua com discriminações. Parabéns, estou totalmente de acordo consigo. Mas suspeito que não falamos da mesma coisa...
Deixo, pois, aqui ficam algumas propostas minhas para acabar com casos flagrantes da dita discriminação.
Sendo assim, sempre que ciganos atacam não ciganos – como tivemos vários casos recentemente, envolvendo, até, pessoal hospitalar – isso passa a ser um crime de ódio racial a ser tratado com toda a dureza da lei. É mais do que justo, uma vez que um simples insulto ou o famoso “olhar de lado” são vistos como tal pela nossa tão isenta Justiça.
Analisar, também, as muitas situações de discriminação existentes noutros setores. A educação, por exemplo. Lembro que queriam tirar os filhos a um casal por este os proibir de irem às aulas de Cidadania, mas há crianças ciganas que não vão à escola e não acontece nada.
Acabar, também, com o muito dinheiro gasto para que façam o grande favor de se integrarem na sociedade portuguesa, algo que sempre me confundiu. Estão cá há séculos, nunca se integraram porquê?
Quanto à habitação, passam a ficar sujeitos às mesmas regras de todos os outros. É inconcebível vermos, como vi há uns anos, um grupo a causar desacatos, fazendo, inclusive, ameaças a um Presidente de Câmara porque iriam ocupar casas em vários edifícios de um bairro e exigiam – sim, exigiam – ficar todos juntos porque... “não gostamos de misturas”. Imaginem se fossem brancos a dizer isto!
Mas não pensem que estas propostas são apenas para ciganos. Não! É que sou mesmo contra todo o tipo de discriminação, por isso é altura de as aplicar a todas as etnias e grupos que por aí andam – a beleza da aplicação da primeira é que só poderia haver roubos e ataques a pessoas da mesma etnia ou a pena seria agravada.
Passemos agora à religião. Tenho visto, com estupefação, muçulmanos ocuparem espaços públicos para as suas orações. E a razão do meu espanto é muito simples, a desigualdade de tratamento. Se não muçulmanos quiserem ocupar esses locais, impedindo a livre circulação das pessoas, qual seria a reação da polícia e do Ministério Público? Aposto que mandariam dispersar, pela força, se fosse preciso.
O pretexto é não haver mesquitas suficientes. Pois, sabem o que também não há em centros urbanos? Templos budistas. Se calhar está na altura de se juntarem em espaços públicos para as suas cerimónias e meditações.
Tivemos, até, escolas que deixavam os alunos muçulmanos irem para casa mais cedo ou faltarem às aulas durante o Ramadão Pergunto-me, se um aluno cristão quiser rezar antes de comer na cantina da escola esta respeita o seu ato? Aposto que viriam logo dizer que não pode ser porque o ensino em Portugal é laico.
O grande problema é que qualquer crítica é vista como islamofobia – sim, o inenarrável da ONU está preocupadíssimo com o seu aumento, diz ele. Mas o que dizer do que já se passa em muitos países europeus e de que estas orações em público são apenas a salva de abertura? Sabiam que em Inglaterra há um forte movimento para proibir o ensino da arte porque pode ofender? E que ainda esta semana um senhor de 70 e tal anos foi brutalmente espancado quando passeava o cão por acharem que não o podia fazer na rua de uma mesquita? Não será altura de cunhar o termo “ocidentofobia”?
Finalmente, o caso da Marcha pela Vida. Estamos a falar de uma manifestação autorizada e pacífica que incluía inúmeras crianças e até bebés – sim, para os nosso “iluminados” isso corresponde a maus tratos infantis, como todos sabemos crianças e bebés só em marchas pela “Palestina” ou pelo aborto ou outras causas que lhe são queridas.
Resumindo, às tantas houve um indivíduo que atirou um cocktail Molotov conta os manifestantes. Por sorte ou inépcia, o dito não se incendiou, mas várias pessoas, incluindo bebés, ficaram cobertas de gasolina. Mais ainda, o dito estava acompanhado de outros três, tendo todos fugido.
Foi notícia de abertura nos telejornais? É claro que não, falaram disso à pressa no meio de assuntos sem interesse, usando sempre, muito cuidadosamente, o termo “incidente”. Pior ainda, quando prenderam o autor e este foi levado a tribunal, um juiz benévolo deixou-o aguardar julgamento em liberdade.
Também não houve buscas aos elementos do grupo a que pertence, nada foi divulgado sobre o que encontraram na casa dele, se é que a revistaram, enfim, o total oposto do que se passou com o famoso grupo 1443 onde ficámos a saber que um deles tinha em casa... um taco de basebol.
Quanto aos políticos, não ouvi nenhum a condenar este ato bárbaro. Sim, não chamo condenar quando se diz que se está contra o que se passou, mas as pessoas daquela manifestação não são boas pessoas – ou seja, a culpa é das vítimas. Ou que não foi grave porque o dito não se incendiou. E o novo senhor de Belém, o Brandinho? Se falou do caso, não dei por ela.
Infelizmente para esta gentinha os tempos estão a mudar e perante as muitas reações por toda a Internet, e não só, acabaram, finalmente e a muito custo, de classificar o ato como terrorismo – mas o seu autor continua à solta, há, até, quem se indigne por privados terem revelado o seu nome e a sua foto!
Pois, pelos vistos – e como em muitos outros casos – só há discriminação quando os Donos da Verdade assim o ditam.
Para a semana: Falemos da mulher. A propósito da decisão do Comité Olímpico Internacional, leis contra a misoginia, etc.