Perante vários acontecimentos recentes, entre eles a chamada “greve geral”, decidi alterar mais uma vez o tema que tinha anunciado para esta semana.
E é precisamente por aí que vou começar.
Primeiro, as aspas. Os dirigentes da CGTP fartaram-se de afirmar que era uma greve geral mas... será mesmo verdade? Fazendo umas continhas, a dita tem 562 500 trabalhadores inscritos nos seus sindicatos, ou seja, 10,61 % do universo de trabalhadores do nosso país (um pouco mais de 5,3 milhões).
Se olharmos para o setor dos funcionários públicos, nem todos da CGTP mas sempre dispostos a uma greve, temos 787 094 pessoas, ou seja, 14% do número total de pessoas no ativo.
Resumindo, mesmo que todos tivessem feito greve, estaríamos muito longe de uma “greve geral”. Lembro, ainda, que os trabalhadores do setor privado e os cada vez mais numerosos trabalhadores independentes não alinham nestas cenas, ou por não poderem ou por não concordarem. Sem contar os sindicalizados que não queriam a greve mas que foram impedidos de trabalhar num claro atentado contra o que diz a sacrossanta (para a esquerda) Constituição.
Mais ainda, será que todos os que faltaram estavam em greve? Ou terão tido um dia de “doença”? É claro que se houvesse algo de que eu falo há muito, o livro de ponto da greve, saberíamos sempre, exatamente, quantas pessoas cumpriam uma determinada greve.
Seja como for, é uma das poucas ocasiões em que concordo com o nosso PM quando disse que houve mais gente a trabalhar do que em greve – mesmo contando os que não o puderam fazer por falta de transportes ou por não ter quem lhes ficasse com os filhos. Mas tudo bem, a esquerda decidiu que foi uma greve geral e, claro, nem se pode duvidar.
Como adenda a esta questão, achei um espetáculo ouvir a advogada dos “meninos” que fizeram aquelas cenas de pura barbárie em frente à Assembleia da República dizer que fora um exagero terem passado dois dias presos! O que é que ela queria, uma medalha de bom comportamento?
Como último tema local, temos a deputada do PAN e mais um projeto de lei referente a cães. Apanhei a notícia a meio e até pensei que estavam a definir condições básicas para idosos! Mas quando vi quem era a autora, percebi logo que não o era – sim, é o partido que votou contra um projeto de lei que agravava as penas para casos de violência contra idosos.
Tudo bem, faz o seu papel de defender o bem-estar dos animais, mas o que mais me espanta – ou espantaria, se não soubesse há muito que a esquerda é tudo menos coerente – é nada ter a dizer sobre carne halal. Para quem não sabe, tem a ver com o abate de animais para consumo de muçulmanos rígidos – o animal não pode ser atordoado, tendo de sangrar até à morte no máximo sofrimento. Mas tudo bem, há que respeitar “os costumes”.
E por falar em costumes, a comunicação social falou, finalmente, de um caso que remonta a 3 de dezembro. Um jovem branco de 18 anos foi esfaqueado por um sikh com a sua faca ritual, tentou fugir e colapsou. Foi quando o irmão do assassino contactou o equivalente inglês do 112 a dizer que um branco estava a lançar insultos racistas ao maninho. E o que é que a polícia fez? Algemou o jovem, apesar de este dizer que tinha sido esfaqueado – um deles até teve o desplante de lhe responder, “não foste nada”.
O mais curioso aqui é que as últimas palavras do jovem Nowak foram exatamente as mesmas do criminoso Floyd há uns anos: não consigo respirar. Mas enquanto este caso incendiou a América e o mundo – até em Portugal houve manifestações – o do inglês foi ignorado. Mesmo agora, que veio a público, a esquerda fofinha nada tem a dizer. O polícia do “não foste nada” só se demitiu agora, perante a pressão de vários movimentos ingleses – atenção, não foi demitido, o chefe da polícia veio até dizer que não tinham feito nada de mal e que, com aqueles ferimentos, o jovem morreria à mesma.
E o PM inglês, esquerdista de gema, que pôs publicamente um joelho em terra pelo criminoso Floyd, agora calou-se. Ou antes, indignou-se com a hipótese de este caso poder atiçar reações públicas. Sem contar que os “bem-pensantes” são contra a proibição da tal arma cerimonial sikh – e lembro que também cá tivemos um jovem morto com uma faca dessas, só que para os nossos tão bem informados jornalistas era uma foice!
Pequeno detalhe, precisamente porque há muitos países que proíbem a posse de armas brancas em público, a religião sikh prevê a sua substituição por uma pulseira feita do mesmo aço da lâmina da arma tradicional.
Como caso final temos esse tão digno representante da esquerda e, para nosso azar, de Portugal, o senhor Guterres. Muito francamente, só não descredibiliza a ONU porque esta perdeu há muito qualquer resquício de credibilidade.
Primeiro, o seu relatório em que equipara crimes sexuais cometidos pelo Hamas contra as mulheres reféns – e não só – com supostos ataques sexuais cometidos por Israel contra as presas palestinianas. A questão aqui é que os primeiros foram filmados pelo próprio Hamas, que se gaba de todas as atrocidades que cometeu. Quanto aos segundos, não há a menor prova, nem sequer testemunhas. Mas tudo bem, a esquerda mundial chama propaganda sionista aos provados e verdade aos não provados.
E para fechar com chave de ouro, lastimou a morte de um soldado da ONU que teria sido, segundo disse, morto por Israel – bom, foi o Hezbollah, mas para quê deixar que factos interfiram com uma boa narrativa? Em compensação, nem sequer mencionou a morte da iraniana Marjane Satrapi, autora do livro Persépolis e uma das vozes mais ativas contra a ditadura iraniana e que vivia exilada em França para não ser morta
Mas, pensando bem, que esperar de um organismo que acabou de eleger o dito Irão para a vice-presidência da Comissão de Desenvolvimento Social que tem, como prioridades, “democracia, igualdade de género, tolerância e não violência”!
Para a semana: Somos tão eficientes! Será que muitos dos nossos problemas não advêm da falta disto e daquilo mas apenas de falta de eficiência?