Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

242 - Sismos, que fazer

Algumas indicações para o antes, o durante e o depois.

Devido ao acontecido nos últimos dias, refiro-me, claro, aos sismos na Venezuela, decidi alterar o post desta semana. Que é, diga-se de passagem, o primeiro que publico na minha nova “casa”. Sei bem que sempre que há uma catástrofe destas algures no mundo as nossas televisões enchem-se de peritos de todos os tipos para responderem à eterna pergunta: está Lisboa preparada para uma repetição do terramoto de 1755?

Só que a ênfase tem mais a ver com edifícios, proteção civil e assuntos similares, ou seja, áreas fora do alcance da maioria da população – sim, é muito bonito dizerem, veja se o seu prédio foi feito a pensar em sismos, mas... e se não estiver? Mudamos de casa? Com a atual situação da habitação em Portugal, não me parece viável. O máximo que poderemos realisticamente fazer em relação ao nosso lar é investigar a hipótese de incluir no seguro a cláusula sismos.

Mais ainda, lembro que apesar de falarmos do Terramoto de Lisboa, quando nos referimos ao de 1755, este afetou muitas outras zonas, na época pouco povoadas, ao contrário do que se passa agora. Por isso, e com exceção de certas zonas do nosso país consideráveis estáveis, não custa nada prepararmo-nos para o caso de acontecer uma catástrofe.

E se tem filhos, comece por ver o tipo de informação que lhes é dada na escola – bom, presumo que falam disso... Poderá, assim, usar esses dados como base para preparar a sua família.

Comecemos pelo ANTES.

Se vive com a sua família, falem deste assunto com tempo, organizando um plano de ação. Não entrarei em grandes detalhes, uma vez que depende muito do tipo de agregado familiar que tem: bebés, crianças pequenas, pessoas com dificuldades físicas, idosos não muito móveis. Basicamente, esse plano deve tocar nos seguintes pontos: o que fazer durante um sismo, medidas a tomar mal os tremores acalmem e o que fazer depois.

É aqui que entra o célebre kit de emergência, de que tanto se falou por altura das tempestades que nos assolaram há uns meses – também eu lhe fiz referência na altura. Não faltam sites da Internet com eles à venda ou, simplesmente, com listas de coisas a incluir.

Mas quero destacar dois pontos. Primeiro, o conteúdo é pessoal, ou seja, há sempre artigos que dependem da pessoa a quem se destinam – por exemplo, se tem um bebé, convém incluir comida, fraldas e outras necessidades básicas para fazer face às primeiras horas. Segundo, de nada serve ter um kit súper completo se for pesado demais para si.

Mesmo assim, acho básico incluir uma lanterna (com as pilhas adicionais), um rádio, um estojo de primeiros socorros, o carregador do telemóvel (e, mais importante ainda, um powerbank), uma pen com cópias dos documentos mais importantes e os medicamentos que toma diariamente – como vê, tudo isto dá um saco pequeno e leve que pode deixar junto à porta.

Pode, também, incluir os chamados cobertores espaciais, são muito leves e úteis. E se tem filhos pequenos, barras energéticas e pelo menos uma garrafa de água – dependendo da idade deles, o ideal seria ter cada um o seu saquinho, tendo em conta a sua idade e necessidades.

Quanto aos medicamentos, veja se tem para pelo menos uma semana. E se lhe são mesmo imprescindíveis, tente ter uma reserva para mais tempo, sobretudo se não são facilmente substituíveis por algo similar. E não se esqueça de os ir mudando, pondo-os a uso e substituindo-os por novos.

Há um outro artigo que nunca vejo referido e que acho, pessoalmente, muito útil: uma bengala. É que, havendo destroços, inclusive nas escadas, é mais fácil passar se tivermos algo a que nos apoiarmos.

Ainda nos preparativos, combine com o seu agregado familiar um ponto de encontro para o caso de estarem em locais diferentes. Já agora, sabia que muitas Câmaras os têm e em lugares considerados seguros? Só Lisboa tem 86! Basta ir à Internet, pôr “ponto de encontro” e a sua cidade e verá uma listagem dos ali existentes. Bom, lembre-se de que nada servem se não souber lá chegar...

Disse acima que não podemos mudar de casa, mas há coisas que podemos fazer. Por exemplo, certifique-se de que não tem coisas pesadas penduradas por cima da sua cama ou do local onde costuma estar sentado. Veja, também, se as estantes que possui estão bem presas à parede e se os objetos pesados ali postos estão nas prateleiras de baixo.

Passemos ao DURANTE.

Se estiver a conduzir, pare mas tente fazê-lo num local seguro – longe de edifícios, sobretudo degradados ou altos, pontes, muros altos, árvores – tentando não bloquear a via de circulação. É claro que se estiver num engarrafamento ou num local com muito trânsito, pare, simplesmente, e tente pôr-se a salvo.

Se estiver na rua, mas a pé, tente afastar-se também de edifícios, árvores, etc., ou seja, coisas que possam tombar-lhe em cima.

Se estiver dentro de um edifício, todas as páginas são unânimes, a regra é “Baixar, Proteger e Aguardar. Ou seja, enfie-se debaixo de uma mesa sólida ou ponha-se sob uma viga – são visíveis em muitas casas. Acima de tudo, afaste-se de janelas, espelhos e objetos pesados que possam cair. Sim, as coisas acontecem rapidamente, sendo assim talvez seja boa ideia ver antecipadamente os melhores locais de cada divisória da sua casa – ou local de trabalho. Aqui está algo que pode planear com a sua família, sobretudo se tem filhos pequenos, assim saberão todos como agir.

E tente proteger a cabeça (daí as escolas dizerem aos alunos que se metam sob as carteiras – bom, se cair uma viga pesada ou o edifício desabar, não ajuda muito, mas evita que nos caiam em cima pequenos detritos. Quanto ao aguardar, a recomendação é que se espere até os tremores pararem antes de tentar sair.

Quanto pararem, saia de casa, mas use apenas as escadas – nada de elevadores, nem que viva num vigésimo andar! E antes de sair, feche a água, o gás e a eletricidade, sendo conveniente que todo o seu agregado familiar o saiba fazer.

E mantenha a calma – sim, bem sei que é mais fácil dizê-lo do que fazê-lo, mas é um dos muitos casos em que entrar em pânico não ajuda, muito pelo contrário.

Último detalhe, se vive num prédio talvez seja boa ideia terem um plano concertado, sobretudo se há idosos não móveis, pessoas com deficiências ou famílias com bebés e crianças pequenas. Ou seja, caso ocorra a uma hora em que a maioria está em casa, poderão decidir que vai tentar ajudar os que poderão ter dificuldades em sair.

Para a semana: Adultos mas não independentes Falemos dos muitos jovens continuam a depender dos pais até uma idade bastante avançada

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