Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

250 - Clima e ambiente

Há muito a fazer nestas áreas, mas sem cair na esparrela dos "climáticos" e similares

Falo por mim – mas penso não ser a única – quando digo que estou farta de ouvir “climáticos” e “ambientalistas”. Não é a primeira vez que falo deste assunto, fi-lo nomeadamente em O céu está a cair, em que referi algumas “previsões” recentes que fariam rir se não tivessem tido consequências económicas más, É o clima, no sentido de que tudo é culpa das alterações climáticas e o culpado destas é o Ocidente, Vem aí a ebulição, expressão usada pelo muito “douto” Guterres, O ativismo climático, Clima, ambiente e não só e Voltemos ao clima, a propósito das cheias catastróficas de Valência.

Como veem, volto periodicamente a este assunto, talvez porque é raro o dia em que não surja uma notícia em que algo é culpa do aumento das temperaturas que são, não se cansam de repetir, as “mais elevadas de sempre!” Fica-me a dúvida, quem o diz tem alguma máquina do tempo que usa para ir fazendo medições ao longo da história da Terra? Ou encontraram registos com milhões de anos elaborados, quem sabe, por alguma raça de extraterrestres?

O célebre degelo do permafrost, por exemplo. Sim, está a acontecer, mas o mais curioso é que por baixo estão a surgir vestígios de habitações, ferramentas, armas, restos humanos... ou seja, é óbvio, exceto para quem não quer ver, que toda aquela vasta região já teve temperaturas bem mais elevadas, estando livre do gelo pelo menos uma boa parte do ano, permitindo, assim, a presença humana.

Ou seja, as temperaturas da Terra já tiveram muitos altos e baixos e continuarão a tê-los, pelos vistos a célebre frase “a Terra é um planeta vivo” (a famosa Gaia) só é usada mas não interiorizada.

O problema é que no Ocidente se têm tomado medidas que afetam gravemente as nossas economias e a nossa independência financeira. Para agradar aos “wokes” do ambiente, fecham-se centrais a carvão, por exemplo, equipadas com todo o tipo de filtros e reguladores, mas nada se diz em relação às da China, que aumentam todos os anos e debitam para o ar todo o tipo de poluentes.

Andamos a gastar imenso dinheiro a destruir barragens, açudes e albufeiras porque “são maus para o ambiente”, mas a Barragem das Três Gargantas, também na China, não despertou qualquer protesto apesar de ser tão grande que até fez a rotação da terra diminuir um niquinho.

Francamente, não entendo esta questão da água. Fala-se cada vez mais das secas a que o nosso país está sujeito mas, em vez de construirmos reservatórios de água que acumulem a excedentária dos nosso rios no inverno, e não só, diminuindo também o risco de cheias, destruímos o que já existe. Sim, as estruturas mais antigas podem não estar bem feitas, mas não seria preferível alterá-las de modo a tornarem-se, também, um local atrativo para vida vegetal e sobretudo animal? Não estamos sempre a ouvir dizer que “água é vida”?

Mas há melhor. Com a chegada da febre da energia solar, há propostas para construir mega centrais de painéis solares, que têm o apoio dos nossos “ambientalistas”. Ou seja, muitos, mas mesmo muitos hectares de solo, muitas vezes fértil, vão ficar cobertos, deixando de receber sol e chuva, e isso é bom porque substitui as “más” centrais hidroelétricas? O que é que destrói mais vegetação e é pior para os animais da zona, a criação de um grande reservatório de água ou a esterilização total do solo?

Uma outra inconsistência tem a ver com querer a todo o custo acabar com carros a gasolina e gasóleo e substituí-los por elétricos. Sempre achei curioso que os mesmos que são contra centrais nucleares porque não sabemos o que fazer aos resíduos – não é verdade, já agora – não tenham as mesmas dúvidas em relação aos cada vez mais milhares de baterias dos ditos carros elétricos. Sim, o lítio que contêm é um grande problema para o ambiente, tanto na sua produção como na sua eliminação. Já agora, adivinhem quem é o maior produtor mundial de lítio e por uma larga margem? Pequena diga, começa por C...

Outra moda atual é querer substituir os aparelhos de ar condicionado por mais árvores. Muito francamente, estou totalmente de acordo em ter mais verde nas nossas cidades, para além de fazer bem é bem mais agradável do que ruas só com alcatrão e betão. Só que daí até haver protestos e manifestações sempre que se corta uma árvore é um passinho...

A grande questão aqui é que nem todas as árvores nascem iguais em termos das que são melhores num ambiente urbano e muitas das existentes só ali estão porque eram baratas, era o que se usava na altura ou outra razão similar. E é por isso que temos tantos passeios – e até ruas – rebentados, pólen e outras substâncias a causarem alergias, copas a interferirem com linhas elétricas ou telefónicas, folhas a pejarem os passeios no outono, constituindo um perigo para quem ali passa, enfim, mil e um problemas.

Em vez de nos precipitarmos a plantar árvores em tudo quanto é sítio e a proibir o derrube das existentes, mesmo quando estão em mau estado, não seria melhor fazer um estudo – mas com prazo, para não termos a repetição do infame aeroporto de Lisboa – para ver quais seriam as espécies ideais nas várias zonas do nosso país? E agir, depois, a partir daí, plantando novos exemplares e indo substituindo, aos poucos, as árvores menos adequadas.

Finalmente, as lixeiras. Há várias por todo o país que estão em fim de vida, facto que se sabe há muito. Visitei recentemente o centro de triagem em Lisboa e falaram muito sobre a central de coincineração que têm e que está a ser um grande êxito. Infelizmente, só poucas unidades em todo o país têm atualmente capacidade para a fazer, quase sempre ligadas a fábricas de cimento, produzindo, já agora, eletricidade.

Em vez de falarmos tanto no ambiente e em reciclar, prática que apoio, já agora, não era altura de já termos mais unidades em construção para substituírem as lixeiras prestes a ficarem saturadas? E haverá um maior ato de reciclagem do que transformar lixo em energia elétrica?

Para a semana: Vida lenta Um novo conceito que ganha cada vez mais adeptos

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