Ando há bastante tempo para escrever sobre este assunto, mas a atual vitória de Lia Thomas, universitária transexual de 22 anos que venceu uma prova de natação feminina nos campeonatos universitários dos EUA convenceu-me de que era a altura. Já agora, procurem o nome e vejam fotos, particularmente as que incluam colegas da equipa e/ou as adversárias... Sem contar que Lia ainda está a iniciar a transição, o que significa que em termos hormonais (e não só) é mais homem que mulher. Mas tudo bem, o que é preciso é ser bem woke! Já agora, este termo será tratado num outro post.
Mas comecemos pelo princípio. Não duvido que haja pessoas que nasçam no corpo “errado”, mas não com a frequência que nos dizem ser verdade. Agora, para onde quer que se olhe, há transexuais de todas as idades. E é aí que eu começo a ter problemas com todo esse conceito.
Sabiam que em muitos infantários e outras instituições até à primária já decidem que uma determinada criança é transexual? E qual é o critério? Muito simplesmente os brinquedos que preferem. Se é rapaz, basta brincar uma vez em bonecas e começam logo a dizer-lhe que bom, tem corpo de rapaz mas é na realidade uma rapariga. E se no dia seguinte volta ao que acham ser brinquedos masculinos, foi por pressão dos pais, claro.
Para as raparigas temos o mesmo, na direção errada. Ao fim e ao cabo, todos sabemos que construções, carros, coisas mecânicas são de homem! Por isso, se gostam, é porque não são raparigas.
Curiosamente, ainda me lembro da polémica que surgiu com os brinquedos incluídos na Happy Meal da McDonald, quando perguntavam se era para rapaz ou rapariga porque havia de dois tipos. Nessa altura, o argumento foi que isso ajudava à discriminação e à diferenciação artificial entre os sexos. Como as coisas mudam!
Vamos a outra situação também relacionada com o ensino. Nos EUA, para além da primária, têm a Middle School e a Junior High School que cobrem os nossos 5º ao 8º (ou 9º às vezes) anos e só depois se entra no liceu propriamente dito. Pois bem, num Estado muito woke a direção de um liceu – lembro, acima do 8º ano) – teve a brilhante ideia, “a bem da igualdade” de que um rapaz que se “sentisse” rapariga podia frequentar a casa de banho feminina, sem perguntas e sem vigilância. E ficaram contentíssimos por terem resolvido o problema de tantos, tantos alunos transexuais (todos rapazes, curiosamente) e que, coitadinhos, iam até ale ao quarto de banho errado. Pois é!
E já agora, quando os pais protestaram porque as filhas estava a ser molestadas e até violadas, não só não os escutaram como foram acusados de serem intolerantes.
Outra coisa que me irrita em tudo isto é o grande argumento dado por rapazes pequenos para dizerem que são raparigas. E qual é ele? “Quero usar vestidos e maquilhar-me”. Tradução, ser mulher resume-se as estas duas coisas. E onde estão as feministas, as tais sempre prontas a verem ofensas em tudo e mais alguma coisa? Pois bem, do lado deles!
Já agora, tenho uma novidade para estes queridinhos. Enfeites, etc. foram durante séculos apanágio do macho da espécie. Há até arqueólogos que começam a pensar que túmulos que identificaram como sendo de uma mulher devido às contas, pulseiras e isso que incluíam, eram na realidade de um homem. E quanto a saias, numa boa parte da humanidade, é o homem que usa saia!
Francamente, em vez de “sou rapariga porque quero vestidos e maquilhar-me” que tal dizer “sou um rapaz que gosta de saias e de me pintar”? Porque é que subitamente a roupa usada por cada sexo tem de ser imutável?
Há ainda outra razão importante para um rapaz – ou rapariga, mas acontece mais com rapazes porque lhes prestam mais atenção – diga que é transexual. Imaginem um rapaz desajeitado, gorducho, etc., que é vítima de bullying na escola. Se não pertencer a uma das espécies protegidas pela sua cor ou religião, pode queixar-se à vontade que não lhe ligam nenhuma. E ser homossexual já não tem o peso que tinha há uns anos. Solução rápida e brilhante? É transexual! E a partir daí não só passa a ser tratado com todo o cuidado, pode até inventar o que quiser sobre colegas de quem não gosta que será logo acreditado.
Parece que tenho falado só de rapazes, mas isso é talvez porque não há tanta pressão sobre as raparigas. Se não gostam de saias, bom, é uma fase, podem usar calças à vontade. Mas há um aspeto em que as tentativas de lavagem ao cérebro dos bem intencionados woke são criminosas e com graves consequências futuras. Refiro-me aos estudos, claro. É que se uma rapariga gosta de matemática e de ciência em geral – excluindo biologia, claro, que é muito feminina – então é de certeza um rapaz no corpo errado.
Será que não veem que estão de facto a dizer que as ciências duras são demasiado difíceis para uma mulher? Estranhamente, era precisamente esse o argumento de quem não queria que as mulheres tivessem estudos superiores!
E nem sequer vou entrar nos problemas que dar bloqueadores hormonais para atrasar o início da puberdade trazem mais tarde a quem passou por isso. Ou no facto de que em Inglaterra um juiz (!) autorizou um casal a operar os dois filhos adotivos de menos de 5 anos “porque eram claramente raparigas”.
Só uma última coisa. Repararam que não qualquer atriz ou cantora americana que se preze tem pelo menos um filho transexual? Isso lembra-me a série “Absolutely Fabulous” com Jennifer Saunders e Joanna Lumley, em que a primeira tem o azar de ter uma filha horrorosa: estuda, é muito certinha, não anda na farra, não se droga, não bebe (ao contrário das duas protagonistas) não tem sexo ao desbarato, enfim, o pesadelo de qualquer pessoa “prá frentex”, como se costumava dizer. E às tantas, a mãe diz-lhe algo tipo, “não podias ao menos ser lésbica? Pensa em como isso iria melhorar a minha posição entre as minhas conhecidas.” Se não viram, é uma série fabulosa.
Para a semana: O mito da liberdade de expressão – título alternativo, nunca houve tanta censura.