Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

29 - Porque será...

Pequenas coisas que me intrigam na sociedade atual

Neste post irei falar de pequenas coisas que me intrigam há anos e para que, francamente, nunca encontrei uma explicação lógica. São de várias áreas, não havendo pois um tema único, a ligação é apenas uma espécie de “dois pesos e duas medidas”. Vamos a isto!

Porque será...

Quando visitamos um país estrangeiro repetem-nos à saciedade que temos de ter cuidado com o que fazemos e dizemos para não ofender costumes locais porque estamos na casa deles e compete-nos, pois, “portarmo-nos bem”.

E estou de acordo, dentro do razoável, claro. Acho, por exemplo, ridículo uma pessoa canhota ter de usar a mão direita para comer se visita um país muçulmano porque tocar em comida com a mão esquerda pode ofender a gente local.

O problema é que quando os ditos estrangeiros nos visitam, podem fazer tudo o que quiserem e temos de o aceitar de bom grado porque “são convidados na nossa casa”! Grande coerência!

E se querem um exemplo, quando os japoneses começaram a fazer turismo a sério, houve inúmeros casos de inundações em quartos de banho de hotéis. É que quando tomam banho, ensaboam-se e esfregam-se, digamos, fora da banheira e esta é só usada no fim para relaxe. E não há problema, os banhos deles estão feitos para serem usados assim – os nossos não. Mas, claro, ninguém quis sugerir às agências de viagens que explicassem o uso apropriado de um banho ocidental porque isso seria xenofobia...

O mesmo se passa a área da religião. Quem viaja sabe que um estrangeiro só tem acesso a algumas mesquitas e que tem de respeitar rigorosamente todas as regras para lá entrar e permanecer. Mais uma vez, estou totalmente de acordo e mais uma vez o problema está na falta de reciprocidade. É que todas as nossas igrejas têm de estar acessíveis a todos e quanto ao comportamento...

Bom, vou contar-vos um caso a que assisti uma das vezes que fui aos Jerónimos. Estava a decorrer uma missa e, para quem não conhece, há avisos que assinalam o facto de que se trata de um templo religioso e não de um mero monumento. Pois bem, entrou um homem muçulmano acompanhado de duas mulheres de quem só se via a cara – curiosamente, maquilhadas em excesso, de tal modo que davam nas vistas. Entraram às gargalhadas e a falarem em voz alta e assim continuaram, apesar de várias pessoas lhes terem apontado a placa que avisava que decorria uma missa. Pior ainda, quando um dos guardas os mandou sair, houve logo alguém que mencionou islamofobia, xenofobia, etc.

Para resumir este ponto, as regras não deviam ser as mesmas, quando viajamos e quando nos visitam? Porque é que temos de ser sempre nós a mostrar respeito e consideração? Quando é que nos chega a vez?

Porque será...

O tiroteio desta semana no metropolitano de Nova Iorque trouxe-me de novo à mente uma outra destas incoerências. E as notícias sobre o criminoso, perdão, o alegado autor dos tiros, só veio confirmar algo em que reparo há anos.

Trata-se basicamente do modo como polícia e comunicação social tratam o autor de um ato destes, consoante a cor da pele e / ou a sua religião. Passo a explicar.

Se quem comete um tiroteio, ataca pessoas na rua à facada ou põe uma bomba for muçulmano, então é certo e sabido que sofre de perturbações mentais e que o seu ato nada tem a ver com religião ou ódio, nem que o dito repita alto e bom som que o fez (ou está a fazer) em nome de Alá.

Se o dito for negro, ou africano, como se diz agora, então é um coitado que teve uma vida difícil, montes de problemas e, bom, um dia perdeu a cabeça.

Mas se é branco, nem perturbações mentais nem vida difícil, mesmo quando há provas disso. Não! É inevitavelmente um supremacista branco, agiu por ódio racial, mesmo se as vítimas forem todas brancas, se o caso se der nos EUA então é certamente um apoiante de Trump, enfim, já entenderam.

A religião também é um fator decisivo. Um muçulmano ataca um clube de homossexuais? Coitado, tinha problemas, não foi homofobia, nem pensar, como todos sabemos o Islão é extremamente tolerante com essas coisas. Mas se for cristão...

Resumindo, a hediondez do crime depende de quem o pratica...

Porque será...

Para terminar, um breve desvio pela política. Lembram-se de quando Ferro Rodrigues foi apupado e insultado por manifestantes no exterior de um restaurante? Pois, o Ministério Público abriu prontamente um inquérito, ouvimos dúzias de comentadores e políticos a expressarem a sua indignação pelo enxovalho à terceira figura do Estado e a exigirem penas de prisão para quem tal ousara.

Pois, mas quando Cavaco Silva, então Presidente, era apupado, os mesmos viam nisso uma mera manifestação da liberdade de expressão que merecia toda a sua aprovação e aplauso, isto quando não incentivavam à sua repetição.

Ora é isso que me baralha. Temos de respeitar totalmente a terceira figura do Estaco mas não a primeira? Pior ainda, o Presidente da República é eleito pelos portugueses, o da Assembleia não o é – para os mais distraídos lembro que não elegemos deputados mas sim partidos, são estes que escolhem quem põem nas listas e nem sequer são obrigados a cumprir a sua ordem quando se trata de ocupar os lugares.

Já agora, se Ferro Rodrigues fosse PSD e Cavaco fosse PS, acham que estas reações seriam as mesmas?

Para a semana: E viva o grátis – um país onde ainda se acredita que há almoços grátis

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