Descobri recentemente que este termo não é muito conhecido em Portugal apesar de, infelizmente, as suas teorias já estarem a ser aplicadas pelos “iluminados” do costume. E com o nosso maravilhoso hábito de importarmos tudo o que os EUA têm de mau, uma coisa é certa, veremos cada vez mais exemplos desta fabulosa teoria.
A palavra em si significa “desperto” e o seu sentido inicial era “bem informado em questões políticas e sociais, sobretudo no referente a comunidades marginalizadas”. Dito assim, até soa bem e seria de aplaudir. Pois...
Infelizmente, a sua aplicação descambou quase de imediato, graças sobretudo aos “vidrinhos” a que me referi num post anterior. E de “consciente” passou a queixinhas, à falta de um termo melhor.
Passo a explicar. Para um verdadeiro woke – e acreditem, há toda uma guerra para provar que eu “sou mais woke do que tu” – tudo é discriminação, tudo é marginalização, enfim, tudo é injustiça social. Mas atenção, não funciona em todos os sentidos.
Por exemplo, um bairro só de negros, árabes ou mexicanos é perfeitamente aceitável, como ouvimos por aqui, “eles gostam de viver entre eles”. Mas se for um bairro só de brancos, é claro que é discriminação e dá logo origem a protestos e pressões de todo o tipo para que isso se altere. O mesmo em relação a empresas, clubes, associações, etc.
A mesma ideologia é estendida alegremente ao cinema e televisão. Um filme ou série que não queira ser denunciado como discriminatório tem de conter atores de várias origens raciais (de preferência com brancos em minoria) e diferentes opções sexuais e religiosas, independentemente da época em que se passa. Por exemplo, num filme recente sobre Maria, Rainha dos Escoceses (para os mais distraídos, do século XVI) havia nobres negros na sua corte. E houve uma tentativa de boicote ao filme Dunquerque porque as tropas que estavam a ser retiradas não incluíam negros nem mulheres...
Um outro exemplo flagrante foi a tentativa de alterar o monumento de Okinawa, o que mostra soldados americanos a erguerem a bandeira dos EUA. A razão? Os soldados do dito eram todos brancos! É claro que o facto de se basear nas pessoas que realmente o fizeram não é uma razão válida para não ser substituído por algo “woke”.
E as coisas não acabam aqui. Para quem tanto berra contra a discriminação das mulheres na sociedade é curioso ver as recentes pressões woke para anular a sua presença na língua e não só.
Por exemplo, as tentativas de proibição do uso da palavra “mãe” nos EUA e em Inglaterra, por ser discriminatória (!!!). Uma das propostas é passar a ser “pessoa capaz de amamentar”. Repare-se que é pessoa, não mulher. É que este termo também é discriminatório, segundo parece é insultuosa para quem não nasceu mulher mas se identifica como tal... Curiosamente, não há tentativas similares para acabar com “pai” ou com “homem”.
E os mais woke usam agora “womxn” (nem perguntem como se pronuncia) uma vez que “woman” termina em “man”, que significa homem...
E há melhor. Ouvi recentemente num programa de debates dos EUA uma pessoa (género indefinido) dizer que uma mulher biológica não sabe o que é ser mulher, só as transgénero o sabem verdadeiramente – e os woke aplaudiram!
Um último ponto sobre este tema mulher, em muitos estados americanos há enorme indignação por as transgénero não estarem especificamente incluídas nas leis do aborto e contraceção, isto apesar de não terem ovários... Pois, a biologia não é um ponto forte do pessoal woke.
E os pronomes? Pois, com a atual proliferação de sexos, usar o pronome errado pode dar expulsão de uma escola / universidade ou despedimento – não estou a brincar, até um miúdo num infantário teve problemas por não chamar ele a uma rapariga.
E não me refiro apenas a usar “ela” para alguém que “se identifica como um homem” ou o contrário. Não, agora não há só homens ou mulheres, há toda uma gama de “sabores” e uma gama ainda maior de pronomes. O primeiro a surgir foi o “them” (em inglês significa tanto eles como elas, é pois neutro) aplicado a uma pessoa singular. E há muitos mais, a tal ponto que uma pessoa woke quando conhece alguém diz o nome e o pronome que prefere. E ai de quem se engane, se tiver sorte é apenas insultado!
Se estão a pensar que tudo isto são americanices que nada têm a ver connosco, pensem bem. O movimento para apagar a nossa história já começou e o pretexto é sempre o mesmo, os “esclarecidos” querem julgar pessoas de séculos anteriores, bom, pessoas, não, brancos, de acordo com as ideias que eles professam agora e que são, obviamente, as únicas corretas e aceitáveis.
As quotas já começaram, por enquanto só para mulheres, mas quanto tempo levará a que se estendam a outros critérios? As célebres aulas de cidadania, que tantos problemas legais deram a uma família de alunos exemplares, que mais são do que uma pura endoutrinação woke? Já agora, simples curiosidade minha, os muitos miúdos muçulmanos no nosso país também são obrigados a frequentá-las e a ouvir falar de homossexualidade, transexualidade e tudo isso ou têm dispensa por “razões culturais / religiosas” ou recebem um currículo que não os ofenda?
É que a base do movimento woke é não ofender ninguém... bom, desde que não seja branco, heterossexual, homem e cristão...
Para a semana: Novo Dicionário Precisa-se, Parte 3 – mais uns termos cujo significado tem mudado