Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

41 - Ditadura é Agora

Entre outras coisas, o caso dos dois irmãos de Famalicão.

Este ano falou-se ainda mais do 25 de abril, da ditadura, da censura, enfim, do usual. Curiosamente, olhando à nossa volta, há cada vez mais gente a pensar que ditadura é o que temos agora! E pior ainda, muito bem enroupada em termos muito simpáticos como “valores democráticos”, “a bem do povo” (hum, isto soa familiar...), enfim, em toda uma panóplia destinada a convencer-nos de que é só gente boa e que os “maus” somos nós por duvidarmos da bondade das suas opiniões e decisões.

Vamos lá a alguns exemplos.

O aspeto mais gritante desta nova “democracia” é o que acontece com as minorias. As coisas até começaram bem, estou totalmente de acordo que devam ser respeitadas – desde que o que fazem não esteja contra a nossa Constituição e as nossas leis, bem entendido. O problema é que passámos rapidamente à atual situação em que da exigência de respeito passaram à de mandarem, de serem os únicos a poder falar.

Refiro-me nomeadamente às cenas a que assistimos relativamente a um professor universitário que pôs na sua página pessoal do Facebook uma opinião sua sobre a atual campanha que decorre relativamente à chamada comunidade LGBTQ+ (isto vai aumentando, espero não ter esquecido nenhuma letra!).

Pessoalmente, discordo totalmente com essa campanha, que passa pelo menos nos canais AXN, vejo televisão para relaxar e não para ser indoutrinada, por muito bem intencionada que seja essa endoutrinação. Mas o que está aqui em causa é que esse senhor tem todo o direito de dizer o que pensa – e de pensar o que quiser – à face da tal Constituição tantas vezes citada.

Mas não, houve logo manifestações, em que foram usadas termos mais do que violentos para o classificar, e a situação só acalmou quando foi suspenso enquanto é investigado – pois, perder o emprego por delito de opinião, onde é que já ouvi isso?

Infelizmente, não é caso único. As pessoas têm cada vez mais receio de falarem abertamente, nunca se sabe quem irão ofender, os “iluminados” do costume arranjam cada vez mais pretextos para imporem a sua vontade e as suas ideias.

E isto estende-se à política, no nosso país e lá fora.

Veja-se, por exemplo, o modo como o Sr. Costa foi tão elogiado por não ter falado com o Chega antes de tomar posse. Parecia que tinha cometido um ato muitíssimo corajoso ao virar as costas à terceira força política mais votada, goste-se ou não deles. E a chamada linha sanitária em torno desse mesmo partido, vinda de partidos tão democráticos e igualitários como o PCP (lembram-se de quando receberam as FARC como convidados de honra da Festa do Avante, esses traficantes de droga e terroristas?) ou do BE (com o nada racista Mamadou Ba e com autarcas que pertenceram ao grupo das FP 25 de abril que assassinava pessoas) e de quem os apoia.

Já agora, relembro que, como disse em posts anteriores, o regime em que vivemos pode dizer-se muito democrático mas na realidade nem temos direito a eleger os deputados que supostamente nos representam. Sim, limitamo-nos a poder votar em partidos, que escolhem quem muito bem entendem e por razões que muitas vezes nos escapam totalmente!

Mas infelizmente, as coisas nem sempre são encapotadas, recordo o caso dos dois irmãos de Famalicão que, a pedido do Ministério da Educação, o Ministério Público quer retirar aos pais por estes não quererem que eles frequentem as célebres aulas de cidadania. O mesmo MP que arquivou o caso da Jéssica, que fecha os olhos às muitas crianças que não põem os pés nas aulas anos a fio, se é que alguma fez o fizeram (o Tribunal de Contas tem dúvidas sobre os dados da monitorização do abandono precoce dos estudos), esse mesmo MP, repito, fala aqui em “perigo existencial para os jovens” (alguém é capaz de me explicar o que é que isto significa?), de maus-tratos psíquicos, de coerção emocional, enfim, uma tremenda preocupação!

É óbvio que nunca pensaram que esta família não cedesse às inúmeras pressões que tem sofrido e querem criar um exemplo para evitar que outros tentem livrar os filhos de uma lavagem ao cérebro – sim, é disso que se trata, num post futuro falarei desta cadeira, do que é e do que devia ser.

 Não é também por acaso que surgiu  Lei dos Direitos Digitais, que Portugal se apressou a apoiar. Em Portugal, surgiu em 2006 a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), tendo como missão a regulação e supervisão de veículos de comunicação. Isto para salvar a coitada da população dos perigos da desinformação!

O próprio Sindicato dos Jornalistas está contra e afirma até que “a criação de um conceito de 'desinformação' com consequências jurídicas ao nível sancionatório é inaceitável". Mas atenção, a ERC não é uma Comissão de Censura, isso era antigamente! As suas intenções são boas, combater a enorme proliferação de desinformação nos meios de comunicação, redes sociais, etc.

Pois, o problema começa logo como esse termo, desinformação. Quem define o que é ou não é, em casos específicos? É que a avaliar com o que se passa no Twitter, Facebook, etc., desinformação é tudo o que não agrada aos “iluminados” ou ao poder vigente. Não acreditam? O Presidente do Irão mantém 7 ou 8 contas em que fala abertamente de matar americanos, de acabar com todos os cristão, enfim, uma série de “mimos” nada racistas ou discriminatórios. Curiosamente, quem ousa pedir que sejam eliminadas é logo posto na lista negra, é óbvio que esse senhor está só a expressar uma opinião... Mas escrevam “gosto do Trump” e bumba! São logo banidos!

Lembremos o famigerado Conselho para a Governança da Desinformação criado por Biden. Foi prontamente apelidado de Ministério da Verdade (leiam 1984, de George Orwell...) e de modo bem apropriado. Bastava olhar para as pessoas que o dirigiam para termos uma ideia bem clara do que realmente era, um organismo encarregue de eliminar toda e qualquer oposição e expressão de ideias que não agradassem aos senhores do costume. Bom, felizmente esta primeira tentativa só durou três semanas, mas outras virão, mais subtis e difíceis de detetar.

Olhem à vossa volta, vejam o que os noticiários dizem e, mais importante ainda, o que não dizem, o modo como tratam casos consoante a cor política, etnia, religião, etc. das pessoas envolvidas. Vejam como amigos, familiares ou até meros conhecidos reagem quando ousam expressar algo que seja visto como “remar contra a maré”.

E terão de concordar comigo, Ditadura é agora!

 

Para a semana: A (in)justiça) que temos – inspirado por algumas decisões recentes e não recentes.

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