Luísa Opina

Neste blogue comentarei temas genéricos da nossa sociedade.

75 - Imigração, precisa-se!

Será mesmo verdade?

Sempre que se fala em controlar a imigração de que a Europa em geral está a ser alvo ouvimos logo dois argumentos considerados decisivos, isto, claro, para lá das usuais acusações de racismo, xenofobia, etc.

Comecemos pelo primeiro, a baixa taxa de natalidade europeia, vista, claro está, como uma desgraça a ser combatida por todos os meios. Mas será mesmo um problema?

A verdade é que, com o tremendo aumento da esperança média de vida e, acima de tudo, com o facto, inédito da história da humanidade, de essas pessoas chegarem a uma idade avançadíssima em excelentes condições físicas e mentais, em vez de se incentivar o aumento da natalidade por todos os meios devia-se, isso sim, pensar em formas de aproveitar como deve ser toda essa população que só é idosa no papel.

O que nos leva ao segundo argumento “de peso”, o envelhecimento da população e a necessidade de trazer sangue novo, digamos, para manter viável dispositivos como a atual Segurança Social. Ouvimos, repetidamente, que são precisos dois trabalhadores no ativo para sustentar um reformado e que isso só se resolve abrindo as portas a populações mais férteis.

Pois, o problema é que quem diz isso não percebe nada de matemática. E porquê? Fazendo umas continhas, quando esses dois chegarem à reforma, serão preciso quatro para os sustentar. E oito para esses quatro... Ou seja, entra-se rapidamente numa espiral de crescimento desenfreado da população só para manter o status quo.

E onde é que isso vai parar? Sempre achei que o livro As Cavernas de Aço (The Caves of Steel) do Asimov devia ser de leitura obrigatória – façam uma pequena pesquisa sobre o dito ou, melhor ainda, leiam-no e verão porquê.

Mas até nem é este o aspeto pior de toda esta teoria da porta aberta. É que quando se fala em deixar entrar gente à vontade para colmatar os tais supostos problemas do envelhecimento da população, há uma ideia subjacente que nunca é discutida. Muito simplesmente, está implícito que esses tais imigrantes, perdão, “migrantes”, o termo na moda, irão trabalhar, pagar impostos e, acima de tudo, descontar para a Segurança Social durante toda a sua vida ativa.

Só que a realidade é outra. Começa logo pela falta de qualificações de quem chega sem controlo. E não me refiro apenas a conhecimentos académicos, não têm, na sua maioria, a menor formação técnica ou profissional. Sendo assim, que tipo de emprego poderão arranjar? O mais certo é ser algo com o salário mínimo, sem impostos ou descontos que se vejam. Sem esquecer que, a esse nível salarial, o abono de família por cada filho tem o valor máximo.

Ou seja, mesmo que trabalhem, o seu contributo para a Segurança Social é negativo! Em que é que isso resolve o nosso problema?

Ouve-se também muito falar do valor em impostos com que os imigrantes contribuem para a economia portuguesa. O problema é que essa estatística, tal como é usualmente divulgada, engloba todos os estrangeiros residentes em Portugal. E tenho a vaga impressão que os que mais pagam são precisamente os que têm uma baixíssima taxa de natalidade...

Há ainda o argumento da falta de mão-de-obra. Lembro-me de ter lido há uns anos um artigo sobre o Japão em que se contava como, perante a tremenda falta de trabalhadores de construção civil, devido ao envelhecimento da população, o país optara por otimizar e mecanizar ao máximo tarefas que sempre tinham sido vistas como impossíveis de serem feitas sem recurso a uma extensa força laboral.

E reparem que até aqui eu só falei em “migrantes” que vêm para melhorar a sua vida pelo seu próprio trabalho. Pois é... e os outros? Acham mesmo que quem pagou uma viagem de avião que custa mais do que o salário de vários anos no seu país de origem veio para labutar num emprego não qualificado?

Curiosamente, os mesmos que defendem com unhas e dentes a total falta de controlo de quem chega ao nosso país acham perfeitamente legítimo que os portugueses sejam sujeitos a todo o tipo de restrições quando querem imigrar. Ainda recentemente Angola fez o enorme favor de dar vistos de trabalho de dois anos (em vez de um) e que têm de ser renovados em Portugal. Mas o Sr. Costa deu residência automática a todos os cidadãos de países CLPL que estejam em Portugal!

Resumindo, não precisamos de imigração não qualificada. Precisamos, isso sim, de imigrantes que colmatem algumas deficiências – na saúde, por exemplo – e que tenham capacidade para ter um emprego que represente encaixe de impostos e um bom desconto para a Segurança Social. Basicamente, temos o direito, como país soberano que somos, de controlar quem vem e quem fica no nosso país, tal como os países de origem desses “migrantes” o fazem.

E, acima de tudo, temos de repensar, e o mais rapidamente possível, um modelo social que há muito deixou de corresponder a este mundo em rapidíssima mutação – refiro-me, claro está, à baixíssima taxa de mortalidade infantil e, sobretudo, à existência de uma fatia crescente da população perfeitamente capaz e saudável que passa décadas inativa só porque atingiu uma idade que, ainda há bem pouco tempo, era indicação de velhice e de se ter literalmente meia dúzia de anos para viver... com sorte!

Para semana: Lá em casa, todos bem! Em que a casa é este nosso jardim à beira-mar plantado

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